16/10/2025
Na quietude do dia que amanhecia vi a imperturbabilidade que o tempo revela. Sempre assim: nasce o dia e se despede o dia.
Em meio ao tom amarelo intenso que o sol fazia brilhar sobre a Terra vi a natureza. Ela que segue aqui presente, com presença, revelando-se e se retirando na imperturbabilidade de quem já é o que deve ser e que tem a eternidade para seguir sendo de uma forma ou outra.
Vejo, então, e sinto em mim a perturbação fruto da agitação unicamente humana. É o humano que preso a Cronos se atormenta. Busca insaciavelmente os prazeres e réguas mundanos. Corre todos os dias sem pausas. Corre e se desgasta para cumprir todos os pré requisitos. Mas o que é o dinheiro, o sucesso, o engajamento, o ser bem visto, a carreira, o pertencer, o se encaixar?
O que é tudo isso - marcas do Cronos e de seu receio de ser deposto - diante do eterno e imutável? Da essência?
A natureza exala quietude.
O Tempo evoca temperança.
Sossego diante do desassossego.
Presença.
A natureza apenas é. O tempo apenas é. Não importa se hoje, amanhã ou depois, eles são. Não importa se virá a tempestade ou se é um dia de céu azul sem nuvens. A natureza é. Dançará conforme o que se apresentar. E amanhã também assim será.
O tempo é, amanhã também será e seguirá sendo. Impassível. Quero também o que permanece para além do que se altera. Quero a temperança que me tira do redemoinho do tempo. E vocês?