29/12/2025
É comum, com a aproximação das férias, vermos alertas sobre o uso das telas e os impactos que os excessos podem causar.
Esse debate é necessário, e aqui no feed você encontra diversos conteúdos que aprofundam esse tema de forma cuidadosa e fundamentada.
Mas hoje quero direcionar o olhar para um ponto específico: os jogos eletrônicos.
Nas férias, os jogos eletrônicos tendem a ocupar um espaço maior na rotina das crianças.
E, do ponto de vista neuropediátrico, é importante lembrar que o impacto desses jogos não está apenas no tempo de uso, mas na forma como o cérebro processa o estímulo que recebe.
Jogos com alto nível de excitação, mudanças rápidas de cena, recompensas imediatas e violência frequente exigem um padrão constante de ativação neurológica.
Quando esse estímulo se repete, o sistema nervoso pode ter mais dificuldade em alternar entre estados de excitação e calma, o que interfere diretamente na atenção, no comportamento e na regulação emocional.
E quando falamos de crianças atípicas, a pergunta é comum: os efeitos são os mesmos?
A base neurobiológica é semelhante, mas a resposta do cérebro pode ser mais intensa ou mais rápida, especialmente em crianças com TDAH, TEA ou dificuldades de autorregulação. Isso acontece porque esses cérebros, muitas vezes, já lidam com desafios nos sistemas de controle inibitório, atenção e modulação emocional, tornando o excesso de estímulo ainda mais difícil de organizar.
Por isso, a escolha dos jogos e o acompanhamento próximo do comportamento fora das telas são ainda mais relevantes nesses casos.
Observar, ajustar e individualizar é parte essencial do cuidado.
💙🧠🩷