01/02/2021
Quase todos os dias eu vejo essa árvore. Ela sempre me chamou atenção por ter as raízes expostas, são grandes, grossas, têm uma beleza marcante. Nenhuma outra árvore é como ela na praça. Quando penso em raízes, logo me vem à mente, as relações familiares.
O filme "Era uma vez, um sonho" (Netflix), baseado em uma história real, retrata a história de uma família: vó, mãe e filho. O enredo do filme revelou conflitos e dramas familiares transmitidos de geração em geração. Devido ao adoecimento da mãe, Vance (o filho) é convocado a voltar à cidade natal e revisita toda sua história. O filme nos dá a chance de conhecermos um pouco da história de cada personagem e como elas se entrelaçam. Ao meu ver, nos ajuda a compreender que há razões para as pessoas serem o que são. Muito da "bagagem" que nos foi transmitida, não fez parte de nossa escolha pessoal. Ninguém tem a chance de escolher aonde nascer, a família que fará parte, em que condições virá a esse mundo.
No entanto, conhecer, confrontar a nossa história, pode promover a escrita de uma biografia mais autoral, autônoma. As raízes irão nos acompanhar, farão parte da nossa base, assim como da árvore da foto. Parte dessas raízes é o que nos sustenta, mas nao significa que determinará os frutos produzidos. Ou seja, nossas raízes não determinam o curso de toda a história de vida, não determinam o destino de alguém, por mais desafiador que tenha sido, há algo que se pode fazer. Esse foi o caminho, a descoverta feita por Vance. Ao final do filme, ele faz uma afirmação impactante: "Que nós somos nossas raízes, mas todo dia escolhemos quem nos tornamos". Você acredita nisso?