02/03/2026
Faz tempo que eu não apareço aqui.
Janeiro e fevereiro passaram num piscar de olhos. E eu tive a sensação de ter vivido uma vida inteira nesses dois meses. Muita coisa aconteceu. Coisas importantes, difíceis, bonitas, cansativas. E nada disso apareceu por aqui.
Isso me fez pensar na minha presença nessa rede.
Em algum momento, produzir conteúdo começou a virar só mais uma tarefa na lista. E ficou pesado.
Eu reduzi drasticamente o tempo de tela.
Fiquei mais no off. Estudei. Trabalhei atendendo minhas pacientes. Curti a minha casa, meus filhos, meus silêncios. Vivi dias absolutamente comuns. Alguns bem desafiadores. E, ainda assim, bons.
Esse tempo distante continua me fazendo pensar.
Estamos vivendo de verdade ou vivendo para mostrar que estamos vivendo?
No consultório, eu vejo mulheres incríveis se sentindo insuficientes. Muitas vezes porque o parâmetro deixou de ser a vida real e passou a ser o que aparece na tela.
Mas a vida de verdade não é enquadrada. Ela é feita de dias repetidos. De cansaço acumulado. De pequenas frustrações. De momentos simples que não dão engajamento, mas dão sentido.
Eu continuo acreditando na potência de trazer psicologia para esse espaço. Mas eu quero fazer isso sem perder a vida que acontece fora dele.
Porque, no fim, não é a vida mais postada que é mais feliz.
É a vida mais vivida.
E me conta…
Você tem vivido ou só registrado?