25/03/2026
Ele ficou agitado do nada. Sem motivo. Sem mudança de rotina.
E quando a família me conta isso, eu faço uma pergunta que ninguém espera: como você tava se sentindo naquele momento?
Porque em muitos casos, a agitação do paciente não começa nele. Começa no cuidador.
O cérebro tem um sistema chamado neurônios-espelho — é o que faz você sentir tensão ao entrar numa sala onde acabaram de discutir. No Alzheimer, esse sistema f**a mais sensível. Quando o raciocínio falha, o cérebro passa a ler o ambiente só pela emoção: tom de voz, tensão corporal, energia.
Quando você tá com pressa, raiva ou ansiedade — mesmo em silêncio, mesmo disfarçando — ele sente. Não sabe nomear. Mas o corpo reage: agitação, choro, recusa.
Não é culpa. É neurociência. E é, na verdade, uma ferramenta poderosa quando usada a seu favor.
Porque se a tensão é contagiosa, a calma também é. Nenhuma medicação age tão rápido no estado emocional de alguém com Alzheimer quanto a presença calma de quem ele sente como segura.
Antes de entrar no cômodo: para. Respira. Baixa o tom. Solta os ombros. Não é só pra você. É pra ele.
Você é o termômetro emocional de quem cuida. Às vezes, antes de acalmar ele, quem precisa ser acalmado é você.
Manda pra quem cuida e vive dias em que tudo dá errado sem motivo. 💜
Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768