Alexandre Casco Pietsch

Alexandre Casco Pietsch Minha missão é ajudar o idoso e seus familiares a conquistarem mais qualidade de vida.

25/03/2026

Ele ficou agitado do nada. Sem motivo. Sem mudança de rotina.

E quando a família me conta isso, eu faço uma pergunta que ninguém espera: como você tava se sentindo naquele momento?

Porque em muitos casos, a agitação do paciente não começa nele. Começa no cuidador.

O cérebro tem um sistema chamado neurônios-espelho — é o que faz você sentir tensão ao entrar numa sala onde acabaram de discutir. No Alzheimer, esse sistema f**a mais sensível. Quando o raciocínio falha, o cérebro passa a ler o ambiente só pela emoção: tom de voz, tensão corporal, energia.

Quando você tá com pressa, raiva ou ansiedade — mesmo em silêncio, mesmo disfarçando — ele sente. Não sabe nomear. Mas o corpo reage: agitação, choro, recusa.

Não é culpa. É neurociência. E é, na verdade, uma ferramenta poderosa quando usada a seu favor.

Porque se a tensão é contagiosa, a calma também é. Nenhuma medicação age tão rápido no estado emocional de alguém com Alzheimer quanto a presença calma de quem ele sente como segura.

Antes de entrar no cômodo: para. Respira. Baixa o tom. Solta os ombros. Não é só pra você. É pra ele.

Você é o termômetro emocional de quem cuida. Às vezes, antes de acalmar ele, quem precisa ser acalmado é você.

Manda pra quem cuida e vive dias em que tudo dá errado sem motivo. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

21/03/2026

“Quem sou eu?” “Que dia é hoje?” “Quantos filhos você tem?”

Parece carinhoso. Parece que você tá dando uma chance pra pessoa mostrar que ainda tá ali.

Mas o que você tá fazendo — todo dia, sem perceber — é aplicar um teste. E toda vez que a pessoa falha, o que ela sente é humilhação.

E aqui vai a parte que ninguém fala: muitas vezes a pessoa com Alzheimer sabe que não sabe. Ela percebe que deveria ter a resposta. Vê a expectativa no seu rosto. E sente vergonha. Sente que tá falhando num teste que nem pediu pra fazer.

Agora imagina isso dez vezes por dia. Cada familiar que chega: “Sabe quem eu sou?” É uma prova constante. E ela reprova em todas. Todo dia.

A troca é simples e poderosa: substitua perguntas por afirmações.

— Em vez de “quem sou eu?” → “Oi pai, sou a Maria, sua filha”
— Em vez de “que dia é hoje?” → “Hoje é sábado, dia bonito”
— Em vez de “lembra do almoço?” → “O almoço tava gostoso, né?”

Você dá a informação em vez de cobrar. E a pessoa se sente incluída em vez de testada.

Manda pra todo mundo da família. Alguém faz isso toda visita — e não sabe o que tá causando. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

21/03/2026

Você pede pra ele se sentar. Ele f**a parado. Pede pra trocar de roupa. Ele te olha sem reação. Pede pra ir pro quarto. Ele vai pra cozinha.

E você pensa: ele tá me ignorando.

Mas o Alzheimer não destrói a audição. Destrói o processamento. A pessoa ouve a frase, mas o cérebro não transforma mais aqueles sons em signif**ado. É como alguém te falando em russo — você ouve perfeitamente, não entende nada.

E quanto mais longa a frase, pior. “Levanta, vai pro quarto e coloca o pijama azul da segunda gaveta” é uma sequência que um cérebro com demência não consegue segurar do começo ao fim.

Quando a família percebe que não funcionou, repete. Mais alto. Às vezes gritando. Como se volume desbloqueasse compreensão. Não desbloqueia. Só assusta alguém que já não entende por que tão gritando com ele.

A abordagem que funciona é radicalmente simples: uma instrução por vez. Curta. Com gesto. “Coloca isso” — mostrando o pijama. Se a palavra não chegou, o corpo chega. Comece o movimento e ele vai te acompanhar.

A diferença entre “ele não obedece” e “ele não entendeu” muda o tom, a abordagem, a relação. E acaba com brigas que nunca precisaram existir.

Manda pra quem vive isso todo dia. 💜

Dr. Alexandre CAsco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

16/03/2026

“Tem alguém me olhando. Tira esse homem daqui.”

Ela tava no banheiro. Gritando. Desesperada. E o “estranho” era o reflexo dela no espelho.

A perda do auto-reconhecimento é um dos sintomas mais comuns nas fases moderadas e avançadas do Alzheimer — e um dos mais ignorados. A pessoa olha pro espelho e o cérebro não faz mais a conexão entre o reflexo e a identidade. Pra ela, tem alguém ali. E esse alguém assusta.

Existe uma camada que torna isso ainda mais compreensível: a imagem mental que a pessoa com Alzheimer tem de si mesma costuma ser de décadas atrás. Ela se vê como alguém de 30, 40 anos. Quando olha no espelho e encontra alguém de 80 — não reconhece. Não pode ser ela.

Muitas famílias interpretam isso como alucinação e aumentam medicação. Mas frequentemente a solução é ambiental, não farmacológica.

Se a pessoa f**a agitada na frente do espelho: tire o espelho. Cubra ou remova. Especialmente no banheiro. E se ela mencionar “o estranho” — não confronte. “Eu já pedi pra ele ir embora.” Resolva o medo, não o fato.

Às vezes a solução pro comportamento mais assustador não é um remédio. É tirar um objeto da parede.

Manda pra quem precisa saber. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch�Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

14/03/2026

“Mãe! Mãe!”

Ele tem 78 anos. A mãe morreu há 40.

E a família, sem saber o que fazer, diz: “Pai, sua mãe já faleceu.”

Eu preciso te explicar o que acontece quando você faz isso.

O Alzheimer apagou a memória da morte. Pra ele, a mãe é viva. Quando você conta que morreu, ele não recebe como algo que já sabia e esqueceu. Recebe como notícia. O luto começa do zero. Desespero, choro, dor — como se fosse agora.

E vinte minutos depois ele esquece que você contou. E chama de novo. E se corrigem de novo, ele perde a mãe de novo.

Mas tem uma camada mais profunda que muda tudo. Quando ele chama pela mãe, não tá pedindo pela pessoa. Tá pedindo pelo que ela representava: a sensação de que alguém maior está ali e tudo vai f**ar bem. É o pedido mais primitivo do ser humano — o mesmo de uma criança assustada no escuro.

O cérebro dele voltou pra uma época em que o mundo era grande demais e a mãe era a resposta. Ele não precisa da mãe. Precisa do que a mãe fazia ele sentir.

Segura a mão dele. Fala baixo. “Eu tô aqui. Pode f**ar tranquilo.” Esse sentimento, qualquer pessoa com amor pode oferecer.

Manda pra quem vive isso. Uma explicação pode evitar um luto repetido. 💜

Dr Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

08/03/2026

“Que dia é hoje?” Pela décima quinta vez. No mesmo dia.

A reação natural: respirar fundo, revirar os olhos, às vezes gritar.

Mas eu preciso te explicar uma coisa que muda tudo.

A área do cérebro que transforma informação nova em memória foi destruída. É como escrever numa lousa e alguém apagar em tempo real. Você responde, três minutos depois a resposta não existe mais. Não é falta de atenção. É que o cérebro não tem mais onde guardar.

E a parte que pouca gente entende: ela não sabe que já perguntou. Pra ela, toda vez é a primeira vez. Ela não tá repetindo — tá perguntando. E sentindo a mesma dúvida, a mesma insegurança, do zero.

Agora imagina: você faz uma pergunta genuína e a pessoa te responde com irritação. Você não entende por quê. Só queria saber. E ao invés de resposta, recebeu hostilidade.

É exatamente isso que a pessoa com Alzheimer sente. Toda vez.

Na próxima pergunta repetida, responde como se fosse a primeira. Com o mesmo tom. A mesma calma. Porque pra ela, é a primeira. E a sua reação importa muito mais do que a resposta.

Manda pra quem cuida e às vezes perde a paciência. Sem julgamento. É humano. Mas entender muda tudo.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

07/03/2026

Ele empurra o prato. Fecha a boca. Vira o rosto.

E o cuidador entra em desespero — porque não comer parece uma ameaça de vida.

Mas o que parece recusa… muitas vezes é confusão.

O cérebro com Alzheimer perde a capacidade de reconhecer a fome, de identif**ar o que é comida, e até de coordenar a mastigação.

Não é teimosia. É a doença.

O que ajuda de verdade:

✦ Ofereça em silêncio — sem cobrar, sem insistir em voz alta
✦ Coloque pouca quantidade no prato — excesso intimida
✦ Experimente alimentos macios, coloridos e com cheiro marcante
✦ Coma junto — o espelho social ainda funciona mesmo nas fases avançadas
✦ Tente nos horários em que ele está mais calmo e desperto

E se a recusa persistir por dias? Fale com o médico. Pode haver dor, desconforto ou efeito de medicamento por trás disso.

Cuidar de quem não consegue pedir ajuda exige que a gente aprenda um idioma novo.

Salva esse post e manda pra quem está passando por isso agora.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

05/03/2026

Ele tem Alzheimer. Não virou criança.

Depois do diagnóstico, acontece uma mudança que ninguém percebe. O tom muda. Os diminutivos aparecem. E de repente, uma pessoa que viveu 80 anos, que criou filhos, que sustentou uma casa — tá sendo tratada como bebê.

Eu entendo de onde vem. Vem do amor, do instinto de proteger. Mas o que a maioria não sabe é que a percepção emocional no Alzheimer costuma estar preservada por muito mais tempo do que se imagina. O paciente pode não entender a frase inteira — mas entende o tom. Sente quando falam de cima. Sente quando decidem tudo por ele sem olhar pra ele. Sente quando falam sobre ele como se não estivesse ali.

Na geriatria existe um conceito chamado “elderspeak” — comunicação involuntariamente infantilizada: tom agudo, diminutivos, elogios desproporcionais pra tarefas básicas.

Pesquisas mostram que isso aumenta a resistência ao cuidado e piora comportamentos que famílias interpretam como “teimosia”. A pessoa não tá sendo difícil. Tá reagindo a uma comunicação que diz: você não é mais capaz.

Simplif**ar é necessário — frases curtas, uma instrução por vez, tom calmo. Infantilizar é desnecessário — voz fininha, diminutivos, aplaudir o óbvio. A diferença é enorme.

Um exercício: antes de falar com o paciente, pensa se falaria assim com outro adulto. Se não, muda o tom. Mantém o conteúdo. O efeito é imediato.

Manda pra quem cuida com amor mas talvez não percebeu que o tom mudou. Não é culpa. É consciência. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

28/02/2026

Ele tá sentado na sala da casa onde mora há 40 anos.

Mas não reconhece mais. E todo dia, às vezes várias vezes por dia, pede pra ir embora.

A esposa chegou no meu consultório destruída: “Doutor, ele não me quer mais? Ele não quer mais f**ar comigo?”

E eu precisei explicar uma coisa que mudou tudo pra ela.

Quando alguém com Alzheimer pede pra “ir pra casa”, quase nunca tá falando de um lugar físico. Tá pedindo um sentimento. A “casa” que ele procura é a época em que o mundo fazia sentido. Em que ele sabia quem era, onde estava, o que viria depois. É a casa da infância, a segurança da rotina, o tempo em que ele não se sentia perdido.

Ele não quer uma parede. Quer pertencimento.

E o erro mais natural do mundo é tentar convencer com lógica. “Amor, você tá em casa. Olha a nossa sala.” Mas isso não funciona. Porque o cérebro dele não processa mais essa informação. Ele só sente que está num lugar estranho — e ninguém tá entendendo o desespero dele.

O que funciona é entrar no mundo dele. “Me conta da sua casa. Como era lá?” Deixa ele falar. Deixa a memória afetiva trabalhar. E f**a ao lado, com calma. Porque o que ele realmente precisa não é chegar em casa. É se sentir em casa. E muitas vezes a única coisa capaz de fazer isso é a presença de alguém que transmita segurança.

Quando eu expliquei isso pra esposa dele, ela chorou. Mas de alívio. Porque entendeu que o marido não tava rejeitando ela. Tava perdido. E que ela, sem saber, já era o pedaço de casa que ele ainda conseguia sentir.

Se você conhece alguém que ouve esse pedido todo dia e não sabe o que responder, manda esse vídeo. Às vezes uma explicação muda a forma como a pessoa cuida — e a forma como ela se sente cuidando.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

💜 Salva esse post. No dia que ele pedir pra ir embora, volta aqui.

27/02/2026

“Ele me empurrou e me xingou. A pessoa mais doce que eu conheci.”

Essa frase me parte o coração toda vez que escuto no consultório. E eu escuto quase todo dia.

A agressividade é um dos sintomas mais difíceis do Alzheimer porque parece pessoal. Parece que a pessoa tá te atacando, te rejeitando, te odiando.

Mas não é isso.

O cérebro com Alzheimer perde a capacidade de interpretar o que acontece ao redor. Quando a pessoa se sente ameaçada — mesmo sem ameaça real — a única resposta que sobra é a mais primitiva: lutar ou fugir.

Ele te empurrou na hora da troca? Ele não tava te rejeitando. Tava se defendendo de algo que não entendeu. Ela gritou na hora da medicação? Não te odeia. Tá com medo de alguém colocando coisas na boca dela.

O que fazer:

— Nunca reaja com força. Nunca segure.

— Dê um passo pra trás. Saia do campo de visão por um minuto.

— Volte com outra abordagem. Outro tom, outra expressão.

— Tente identif**ar o que gerou o medo.

A agressividade no Alzheimer não é sobre você. É sobre um cérebro em pânico.

Manda pra quem precisa entender isso.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
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25/02/2026

“Todo dia de tarde a mesma coisa. Ele f**a agitado, confuso, às vezes agressivo. E a gente não sabe o que fazer.”

Isso se chama Sundowning — síndrome do entardecer. É um dos sintomas mais comuns do Alzheimer e um dos que mais desgasta a família.

O que acontece: o cérebro com demência funciona como uma bateria que vai descarregando ao longo do dia. Quando chega no final da tarde, ele já não consegue processar os estímulos ao redor. A mudança de luz, as sombras, o cansaço acumulado — tudo vira confusão.

O que ajuda:

— Reduzir estímulos a partir do meio da tarde (TV, barulho, visitas)

— Acender as luzes antes de escurecer

— Manter rotina previsível

— Se a agitação vier: não confronte. Presença calma, música suave, toque gentil.

Ele não tá piorando. O cérebro tá esgotado. E quando você entende isso, tudo muda.

Manda pra quem vive isso toda tarde.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

24/02/2026

“Ele não quer tomar banho!”

Essa é uma das frases que eu mais escuto de famílias que cuidam de alguém com Alzheimer.

E a primeira coisa que eu pergunto é: como vocês estão tentando?

Porque na maioria das vezes, o problema não é que a pessoa não quer tomar banho. O problema é que ela não entende o que está acontecendo. Pra um cérebro com demência, ser levado a um cômodo frio, ter as roupas tiradas e receber água no corpo pode ser aterrorizante quando você não lembra por que aquilo tá acontecendo.

Algumas coisas que fazem diferença:

— Não avise. Conduza. Em vez de “vamos tomar banho”, tente “vem comigo”.

— Aqueça o ambiente antes. Toalha quente, banheiro confortável.

— Não tire toda a roupa de uma vez.

— Se recusou agora? Tenta de novo em 30 minutos, de outro jeito.

— Se hoje não deu, amanhã é outro dia.

Banho não precisa ser diário. Mas precisa ser sem medo.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

Salva e manda pra quem precisa dessas estratégias.

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