Dra Tatiane Maiochi Cunha - Psiquiatra

Dra Tatiane Maiochi Cunha - Psiquiatra Médica psiquiatra especialista em TCC e Esquema interessada na interface com a espiritualidade.

Esta página foi desenvolvida com o objetivo de compartilhar materiais, informações, artigos e meus interesses relativos à Saúde Mental.

A maternidade apresenta você para você mesma.Às vezes com delicadeza.Às vezes atravessando tudo.Mas sempre com verdade.P...
24/05/2026

A maternidade apresenta você para você mesma.

Às vezes com delicadeza.
Às vezes atravessando tudo.

Mas sempre com verdade.

Porque a maternidade não transforma apenas a rotina.
Ela transforma a identidade.

Ela mostra onde ainda existe medo.
Onde você ainda busca aprovação.
Onde ainda se culpa.
Onde ainda não conseguiu se acolher.

E não porque a maternidade é cruel.

Mas porque ela é honesta de um jeito que poucas experiências da vida conseguem ser.

Aquilo que estava escondido…
aparece.

As feridas emocionais.
Os padrões familiares.
As histórias que você herdou sem perceber.
As dores que aprendeu a silenciar.

Tudo começa a vir para a superfície.

E existe uma verdade profunda nisso tudo:

o que não é olhado dentro de nós
muitas vezes atravessa gerações.

Não porque exista mãe perfeita ou mãe ruim.

Mas porque filhos aprendem muito mais pelo que vivemos
do que pelo que falamos.

E talvez seja exatamente aqui que more algo sagrado na maternidade:

na possibilidade de interromper ciclos.
De construir novas formas de amar.
De escolher conscientemente o que você deseja transmitir.

Não por culpa.
Não por obrigação.

Mas por amor.

A maternidade talvez seja um dos processos de autoconhecimento mais profundos que existem.

A questão é:
você vai viver esse processo no automático…
ou com consciência?

A corregulação não acontece só com os seres humanos.Na natureza, os animais fazem exatamente a mesma coisa.Quando o filh...
23/05/2026

A corregulação não acontece só com os seres humanos.

Na natureza, os animais fazem exatamente a mesma coisa.

Quando o filhote está assustado,
em estresse
ou em perigo…

a mãe se aproxima.

Oferece calor.
Proteção.
Contato.
Presença.

Até que o corpo do filhote entenda:
“agora está seguro de novo.”

Com as crianças, acontece da mesma forma.

Elas não nascem sabendo lidar com medo,
frustração,
raiva,
ansiedade
ou tristeza.

Elas aprendem isso na relação.

Aprendem no olhar que acolhe.
Na voz que acalma.
No abraço que organiza.
Na presença que sustenta.

Quando você ajuda uma criança a entender o que está sentindo…
você está ajudando o cérebro dela a se desenvolver.

Quando você diz:
“eu sei que você ficou assustado”
“eu estou aqui”
“vamos respirar juntos”

isso não é mimo.

Isso é construção emocional.

Porque, aos poucos,
aquilo que a criança viveu junto com você…
vira uma capacidade interna.

E um dia,
ela começa a fazer sozinha
o que antes precisava do seu colo para conseguir.

É assim que nasce a autorregulação emocional.

Não através do abandono.
Não através do medo.
Não através da punição.

Mas através da conexão.

22/05/2026

curitiba

A depressão pós-parto não afeta só a mãe.Ela atravessa o bebê.A criança.A casa inteira.Porque a saúde emocional da mãe i...
22/05/2026

A depressão pós-parto não afeta só a mãe.

Ela atravessa o bebê.
A criança.
A casa inteira.

Porque a saúde emocional da mãe influencia diretamente o ambiente onde essa criança está crescendo.

E existe uma coisa que muitas mães interpretam errado:

justamente quando você está mais cansada…
seu filho pode começar a pedir mais colo.
Mais presença.
Mais contato.

Não porque quer “chamar atenção”.

Mas porque o cérebro infantil percebe quando algo não está seguro.

A criança sente antes mesmo de conseguir entender.

Quando a mãe está emocionalmente esgotada,
menos disponível,
mais irritada,
mais distante…

o sistema de apego da criança entra em alerta.

E a resposta natural dela é se aproximar.

Grudar.
Buscar colo.
Querer dormir junto.
Chorar mais.
Precisar mais da mãe.

Isso não é manipulação.
Não é dependência.

É o cérebro infantil tentando encontrar segurança de novo.

Chamamos isso de co-regulação.

O toque.
A voz.
O olhar.
O abraço.
A presença verdadeira…

ajudam a regular o sistema nervoso da criança.

E tem algo muito importante nisso tudo:

a criança não precisa de uma mãe perfeita.

Ela precisa de uma mãe emocionalmente acessível.

Por isso, pequenos momentos de presença real podem valer mais do que horas apenas “estando ali”.

Porque, no fundo,
o que a criança busca não é perfeição.

É sentir:
“está tudo bem de novo.”

🤍

A maternidade muda tudo.O corpo.A rotina.O sono.Os relacionamentos.A forma como a mulher se enxerga.E quando a gente fal...
21/05/2026

A maternidade muda tudo.

O corpo.
A rotina.
O sono.
Os relacionamentos.
A forma como a mulher se enxerga.

E quando a gente fala sobre tudo isso…
a gente está falando de saúde mental materna.

Porque saúde mental não é apenas “não ter depressão”.
E também não é conseguir dar conta de tudo sozinha.

Segundo a OMS, saúde mental materna envolve bem-estar físico, emocional, psicológico e espiritual.

É a mulher conseguir existir além da função de mãe.

É conseguir sentir prazer.
Descansar sem culpa.
Se reconhecer no espelho.
Ter espaço para sentir.
Ter apoio.
Ter acolhimento.

Mas muitas mulheres vivem o contrário disso.

Vivem sobrecarregadas, exaustas, tentando sustentar tudo em silêncio.

E os números mostram isso:
cerca de 13% das mulheres no pós-parto desenvolvem algum transtorno mental, principalmente depressão pós-parto.

E quando esse sofrimento não é percebido…
não é acolhido…
não é tratado…

o impacto não acontece só na vida da mãe.

Atinge o vínculo com o bebê.
O relacionamento.
A autoestima.
A forma como essa mulher passa a existir no mundo.

Cuidar da saúde mental materna não é luxo.
Não é exagero.
Não é fraqueza.

É cuidado básico.
É prevenção.
É saúde.

Porque mãe também precisa ser cuidada.

E é exatamente aí que entra o puerpério.Não como aqueles “40 dias” que costumam falar.Mas como o tempo necessário para n...
20/05/2026

E é exatamente aí que entra o puerpério.

Não como aqueles “40 dias” que costumam falar.

Mas como o tempo necessário para nascer uma nova mulher.

Porque o puerpério não é só físico.
Ele é emocional.
Identitário.
Relacional.

E pode durar meses… às vezes anos.

No começo, muitas mulheres vivem uma conexão tão intensa com o bebê que parece que os dois ainda são um só.

Como se mãe e filho estivessem mergulhados na mesma água.
E o resto do mundo ficasse em segundo plano.

Depois, começa um movimento interno profundo.

“Como equilibrar a maternidade com o resto da vida?”
“O que aconteceu com a mulher que eu era?”
“Quem eu sou agora?”

E é aí que muitas mães se sentem perdidas.

Porque o puerpério também é uma fase de reorganização.

Da rotina.
Do corpo.
Da identidade.
Dos relacionamentos.
Da forma de existir no mundo.

E aos poucos… começa um renascimento.

Você começa a se perceber de novo.
A reconhecer suas necessidades.
A resgatar partes suas que ficaram esquecidas no meio do caminho.

E talvez a parte mais importante seja essa:

Você não volta a ser quem era antes.

Você se torna alguém novo.

Mais consciente.
Mais madura.
Mais forte.
Mais real.

E isso não acontece de uma hora para outra.
Não tem prazo.
Não acontece igual para todas.

Por isso, respeite o seu processo.

Porque, aos poucos, você vai se encontrando novamente.

E conhecendo uma versão sua mais inteira… mais viva… e mais sua.

19/05/2026

.curitiba
Furta-cor | Saúde Mental Materna

Tem um momento na maternidade que muda tudo.Não acontece quando o filho nasce.Nem quando a rotina melhora.Acontece quand...
19/05/2026

Tem um momento na maternidade que muda tudo.

Não acontece quando o filho nasce.
Nem quando a rotina melhora.

Acontece quando a mulher percebe que, em algum ponto do caminho… ela se deixou.

Ela segue funcionando.
Cuidando.
Resolvendo.
Dando conta.

Mas por dentro existe uma ausência.

Não no que ela faz.
Mas no que ela sente.

E por muito tempo ela acredita que isso é normal.
Que ser mãe é se adaptar o tempo inteiro.
É se colocar sempre por último.
É sobreviver no automático.

Até que algo vira.

Não porque a vida ficou mais fácil.
Mas porque ela começa a se enxergar de novo.

Ela percebe que ainda existe uma mulher ali.
Com desejos.
Com limites.
Com necessidades.
Com vida própria além das funções que sustenta.

E essa é a verdadeira virada de chave.

O momento em que ela se reencontra dentro da maternidade.

Porque quando a mulher volta a existir para si…
a maternidade deixa de ser só sobrecarga.

E passa a ser uma construção mais consciente.
Mais leve.
Mais humana.

Você continua sendo mãe.
Mas sem precisar desaparecer de si mesma no processo.

18/05/2026
Existe uma frase que escuto de muitas mães no consultório e que sempre me chama atenção:“Eu nem sei mais quem eu sou.”E ...
18/05/2026

Existe uma frase que escuto de muitas mães no consultório e que sempre me chama atenção:

“Eu nem sei mais quem eu sou.”

E isso não acontece de repente.

Acontece aos poucos.
Quando a mulher começa a se abandonar para sustentar tudo ao redor.

Ela deixa de fazer coisas que gostava.
Deixa de descansar.
Deixa de se escutar.
Deixa de existir como pessoa para existir apenas como função.

E o corpo começa a mostrar sinais.

Aumenta a irritação.
O cansaço vira exaustão.
A sensação de vazio aparece.
O prazer desaparece.
E o risco de ansiedade e depressão aumenta.

Porque nenhuma mulher consegue viver por muito tempo desconectada de si mesma sem adoecer emocionalmente.

A maternidade transforma.
Mas ela não deveria apagar completamente quem você era antes dela.

Você não precisa escolher entre ser mãe ou ser você.

Mas precisa aprender a sustentar as duas.

Precisa existir como mãe…
e também como mulher.

Ter desejos próprios.
Tempo próprio.
Limites.
Descanso.
Espaço emocional.

Porque quando uma mulher desaparece completamente dentro da maternidade, sobra apenas sobrevivência.

E viver deveria ser mais do que apenas sobreviver. 🤍

Existe uma culpa silenciosa que muitas mães carregam quando tentam fazer algo por si mesmas.Como se descansar fosse egoí...
17/05/2026

Existe uma culpa silenciosa que muitas mães carregam quando tentam fazer algo por si mesmas.

Como se descansar fosse egoísmo.
Como se precisar de um tempo sozinha significasse amar menos os filhos.

Mas se priorizar não é abandonar o filho.

É não se abandonar.

E talvez você tenha aprendido que ser uma “boa mãe” significa estar disponível o tempo inteiro.
Sem pausas.
Sem necessidades.
Sem limites.

Só que nenhuma mulher consegue existir apenas como função por muito tempo sem adoecer.

Você continua sendo mãe.
Mas também continua sendo mulher.
Pessoa.
Humana.

E autocuidado não precisa ser algo grandioso para ser importante.

Às vezes é:
10 minutos de silêncio.
Um banho sem pressa.
Tomar um café quente.
Fazer algo que você gosta.
Sair um pouco sozinha.
Lembrar de quem você é além da maternidade.

Porque quando a mulher se perde completamente de si, ela começa a sobreviver no automático.

E uma mãe emocionalmente exausta não precisa de mais culpa.
Precisa de acolhimento.
De suporte.
De espaço para existir também.

Você não precisa desaparecer para ser uma boa mãe.

Seu filho não precisa de uma mãe perfeita.
Precisa de uma mãe que também esteja viva dentro da própria vida. 🤍

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