13/03/2020
Timidez x Introversão
É perceptível que a sociedade moderna valoriza e reforça os comportamentos de extroversão e exposição enquanto tende a punir a introversão e o retraimento. Apesar de ambos os modos de funcionamento poderem ser tanto inofensivos quanto problemáticos é muito comum que pessoas tímidas (assim como as introvertidas) sejam avaliadas de forma negativa como “metidas”, “arrogantes”, “estranhas”, “desinteressadas”, “indiferentes”, etc. Esse tipo de avaliação pode acabar aumentando o desconforto em situações sociais e o isolamento dos tímidos que tendem cada vez mais a evitar situações sociais em que precisem desempenhar uma desenvoltura social que não estão acostumados. Inicia-se um círculo vicioso.
Apesar de uma pessoa poder ser tanto tímida quanto introvertida (o que é até comum) estes dois termos se referem a modos de funcionamento diferentes. A introversão é considerada um traço de personalidade das pessoas que tem uma tendência natural a manter sua atenção voltada para dentro de si, havendo uma aceitação e até apreciação desse traço como parte da sua identidade e individualidade, sem estar relacionado ao medo de avaliação dos outros e necessidade de aceitação. Já na timidez esse retraimento se dá diante do receio de ser avaliado negativamente associado a um desejo de causar boa impressão e possivelmente um histórico de punição em exposições sociais.
Diante de situações que exijam exposição social intensa, o tímido pode vivenciar sensações de ansiedade como relembrar situações em que não teve desempenho satisfatório, pensamentos catastróficos, taquicardia, sudorese, ruborização, gagueira, esquecimento, dores, tensão muscular, etc. Diante desse turbilhão de sensações pode ser que a pessoa tímida opte por fugir da situação, um comportamento adaptativo natural, mas que deve ser observado em sua intensidade e frequência. Tais fugas e esquivas podem acabar resultando em prejuízos relacionais, profissionais e acadêmicos deixando a pessoa cada vez mais isolada e frustrada elevando a timidez a um patamar de Transtorno de Ansiedade Social (este precisa satisfazer critérios específicos e ser diagnosticado por um psiquiatra). É preciso estar atento aos nossos comportamentos problemáticos com compaixão e objetividade para que possamos perceber o que dificulta nossa caminhada e escolher o que é melhor para nós apesar das dificuldades do caminho. Se você sente que este tipo de comportamentos, sensações e emoções estão presentes e trazendo prejuízos e/ou sofrimento a sua vida, procure um profissional da psicologia.
Referências:
https://www.comportese.com/2018/04/introversao-e-timidez-algumas-reflexoes
https://www.comportese.com/2018/12/o-valor-adaptativo-da-timidez