12/12/2025
Este ano atendi algums crianças e adolescentes que não demonstravam emoção, parecendo não senti-las. Na minha visão acredito que é uma forma de proteção, sobrecarga interna ou dificuldade de organizar o que sentem.
Quando faço a anamnese e os pais contam a dinâmica familiar, observo o quanto os filhos são criticados, seja quando choravam, desacreditados quando se frustravam ou cobrados a serem “fortes o tempo todo”. Ou participavam de brigas horríveis mas não podiam expor seus medos...
No olhar da neuropsicologia, a expressão emocional depende de três funções:
Reconhecimento emocional
Regulação emocional
Comunicação emocional
Quando alguma dessas áreas está imatura ou fragilizada, a emoção é sentida, mas não chega a ser expressa.
Em alguns casos, há tanta informação emocional e cognitiva junta que o corpo escolhe “desligar” a expressão.
A criança não sabe traduzir aquilo em palavras, choro ou sorriso.
Fiquem atentos:
Poucas expressões faciais
Respostas monossilábicas
Dificuldade em nomear sentimentos
Indiferença aparente em situações felizes ou tristes
Retraimento social
Irritabilidade silenciosa (explode sem prévias demonstrações)
Claro que não quer dizer:falta de amor,frieza afetiva, má educação ou falta de empatia verdadeira
Na grande maioria dos casos, significa dificuldade de traduzir o que sente, não ausência do sentir.
É super indicado:
Nomear emoções no dia a dia (“parece que você ficou frustrado…”)
Validar ao invés de julgar
Oferecer modelos: “Quando estou ansiosa, meu coração acelera…”
Dê tempo para a resposta.
Use atividades expressivas: desenhos, jogos, metáforas, histórias.
Busque avaliação psicopedagógica/neuropsicológica se houver prejuízo social ou escolar.