Psicóloga Fabiana Witthoeft

Psicóloga Fabiana Witthoeft Psicólogo

29/01/2026

Quando uma perda muito importante acontece, não existe uma reação “certa”. A teoria contemporânea do luto nos ajuda a entender algo fundamental: as pessoas não reagem de forma igual porque o luto não é uma emoção única, mas um processo complexo, influenciado por história de vida, vínculos, experiências anteriores, crenças, recursos emocionais e contexto. Há quem chore imediatamente, quem fique em silêncio, quem siga funcionando como se nada tivesse acontecido, quem precise falar sem parar é há quem demore dias (ou semanas) para sentir algo que faça sentido.

Nenhuma dessas respostas, por si só, indica amor maior ou menor, nem força ou fraqueza.
Elas indicam formas diferentes de o cérebro e o corpo tentarem assimilar uma ruptura profunda. Algumas pessoas reagem de maneira mais emocional e expressiva. Outras entram em um estado mais prático, racional ou contido. Isso não é frieza, mas muitas vezes é proteção. É o sistema psíquico tentando evitar um colapso imediato diante de algo grande demais para ser sentido de uma vez. O luto não acontece apenas no choro, mas também acontece no corpo anestesiado, na negação inicial, na organização excessiva, no humor deslocado, no silêncio prolongado. A teoria contemporânea nos afasta da ideia de “fases obrigatórias” e nos aproxima de algo mais humano: o luto é vivido em ondas, em ritmos próprios, e de formas singulares. Por isso, comparar reações machuca, cobrar sentimentos machuca e interpretar o jeito do outro como falta de amor machuca.

Respeitar o tempo, a forma e o modo de cada um é uma das maiores expressões de cuidado diante da perda. No luto, não é sobre como você reage. É sobre como você consegue, pouco a pouco, continuar existindo depois daquilo que mudou tudo.

Um abraço no ❤️

24/01/2026

As férias acabam, e eu volto. Volto depois de ter vivido o que, na rotina do ano, quase nunca cabe. Almoçar ou jantar fora sem pressa.Ver um filme no sofá da sala. Tomar um sorvete no meio da tarde. Caminhar pela rua, pelo parque, pelo tempo. Estar mais presente na vida de quem me cerca. Momentos simples e ainda assim, raros.

Os dias de luta e entrega são exaustivos.
Exigem disciplina, escolhas diárias, organização que não aparece nas fotos.Há os compromissos com o tratamento do meu filho, que é autista, o acompanhamento escolar e as demandas individuais. A burocracia da vida que não tira férias: casa, contas, consultório, finanças, amizades que importam, obstáculos que não pedem licença.

Tudo isso faz com que, quase sempre,
meus dias terminem depois da meia-noite. Não foi por acaso que o burnout me alcançou no fim do ano. O corpo pediu o que a mente já vinha sussurrando: pausa. E eu parei, respirei o simples. Agora, retorno. Não porque esteja tudo resolvido, mas porque descansar também é parte da jornada.

Mais um ano. Menos um ano. E seguimos. Com mais consciência e cuidado.
Vamos lá!

Um abraço no ❤️

23/01/2026

Às vezes, quando a tristeza chega, a gente corre para qualquer coisa que alivie. Mas nem tudo que distrai, cuida. Nem tudo que ocupa, acolhe.Por isso, um convite importante: Você sabe o que buscar nos seus momentos mais vulneráveis? Há dias em que a tristeza pede silêncio, não conselhos. Há dias em que a angústia pede presença, não respostas.
Há dias em que a saudade pede memória, não esquecimento.

Buscar consciência emocional é aprender a se perguntar, com honestidade: O que isso que sinto está pedindo de mim agora?

Talvez seja:
✨um colo (mesmo que seja o seu próprio),
✨uma pausa,
✨um choro permitido,
✨uma conversa segura,
✨uma lembrança que aquece,
✨ou simplesmente não fazer nada por um tempo. Nem sempre é força, produtividade ou “seguir em frente”. Às vezes, é f**ar com o que dói, com o que falta ou com que ainda ama. Autocuidado emocional não é fugir do desconforto, mas sim aprender a buscar o que sustenta, e não apenas o que anestesia.

E você, quando f**a triste, angustiado(a) ou com saudade, costuma buscar o quê?

Compartilha conosco, para auxiliar outras pessoas a pensarem nas suas alternativas.

Um abraço no ❤️

Créditos do vídeo:

Quando atravessamos diagnósticos, mudanças profundas ou perdas, o corpo entra em alerta. O cérebro entende que algo esse...
22/01/2026

Quando atravessamos diagnósticos, mudanças profundas ou perdas, o corpo entra em alerta. O cérebro entende que algo essencial foi rompido e reage. Dormimos, pensamos e sentimos diferente. Não porque estamos fracos, mas porque estamos nos adaptando. Biologicamente, o cérebro do luto trabalha em ritmo intenso: ele revisita memórias, tenta prever perigos, busca sentido onde antes havia continuidade.
É um cérebro que sofre, mas também se reorganiza.Aos poucos, novas conexões vão sendo criadas para que a vida siga possível, ainda que diferente.

Existe algo muito sutil (e potente) nisso tudo:
quando conseguimos dizer “foram os dias mais difíceis”, o verbo já nos conta uma verdade importante. Foram. Isso não apaga a dor, mas mostra que aquele estado absoluto já passou. O cérebro reconhece: a ameaça diminuiu, e com isso, ajusta a intensidade. O luto não termina. Ele muda de forma, de volume, de frequência.Vivemos uma nova realidade, sempre em intensidades diferentes.
Há dias em que a dor fala alto e em outras, ela sussurra. Há dias em que a vida consegue, timidamente, ocupar mais espaço. Se hoje você olha para trás e consegue nomear no passado aquilo que parecia insuportável,isso não signif**a esquecimento, mas sim, adaptação.Signif**a que o seu cérebro, silenciosamente, aprendeu a te manter vivo mesmo quando você achou que não iria sobreviver. E isso, por si só, já é um ato profundo de coragem.

Um abraço no ❤️

22/01/2026

Às vezes, antes de alinhar a coluna,
ajustar o relógio e apertar os cadarços do “ano sério”, a alma pede outra fila. Não a dos adultos apressados, mas a das crianças…Onde o tempo não empurra, onde cinco minutos viram eternidade e uma eternidade cabe num riso. Entrar nessa fila é um gesto quase invisível, mas profundamente corajoso.
É permitir-se fantasiar sem culpa, brincar sem finalidade, existir sem produtividade. Ali, ninguém pergunta metas, ninguém mede resultados.Perguntam apenas:
“Você quer brincar de quê?” E talvez seja justamente isso, que nos prepara para o ano que começa: lembrar que antes de sermos responsáveis, fomos curiosos. Antes de sermos fortes, fomos criativos.Antes de sermos sérios, fomos vivos. Que a gente entre na fila das crianças por alguns minutos,
não para fugir da vida adulta, mas para voltar a ela com o coração menos pesado
e a imaginação acordada.

21/01/2026

Quando um irmão morre, algo muito profundo se rompe. Não é apenas a perda de uma pessoa amada, mas sim a perda de alguém que compartilhou a mesma origem, a mesma casa, a mesma história inicial de vida. Ainda assim, o luto do irmão costuma ser desautorizado ou invisível. Ele f**a à margem, como se não fosse “prioritário”, como se precisasse ser forte porque os pais sofrem mais, ou porque agora “é preciso apoiar a família”. Mas a dor existe. E existe de um jeito muito próprio. Por que o luto do irmão é tão invisibilizado?

Porque muitas vezes:
• A atenção está totalmente voltada aos pais
• Espera-se que o irmão “segure firme”
• A perda não se encaixa em papéis sociais claros
• Não há rituais específicos que reconheçam essa dor

O resultado? Um luto silencioso, solitário e, muitas vezes, culposo. Os cuidados que as pessoas precisam ter com quem perde um irmão:
• Reconheça a perda:
Não minimize com frases como “seus pais estão sofrendo mais”. Dor não é competição.
• Autorize o sofrimento:
Dizer “você também perdeu alguém muito importante” já é um grande acolhimento.
• Não exija força precoce:
O irmão não precisa ser o apoio emocional da família o tempo todo.
• Inclua nos rituais e lembranças:
Convide para falar, lembrar, chorar, recordar histórias compartilhadas.
• Evite comparações:
Cada vínculo é único. Cada luto também.

✨O que quem perde um irmão precisa cuidar em si mesma
• Reconhecer a legitimidade da própria dor: Você perdeu alguém que fazia parte da sua identidade.
• Permitir-se sentir sem culpa:
Chorar não signif**a amar menos os pais. Sofrer não é egoísmo.
• Nomear as perdas invisíveis:
A perda do futuro compartilhado, das memórias que ainda seriam criadas, do “nós”.
• Buscar espaços seguros de escuta:
Onde sua dor não precise ser comparada, explicada ou reduzida.
• Respeitar o próprio tempo:
O luto não tem cronograma, nem obrigações de superação.

Perder um irmão é perder um pedaço da própria história. É seguir vivendo carregando uma ausência que poucos veem, mas que se faz presente todos os dias. Essa dor é real e legítima, merecendo cuidado, tempo e acolhimento.

Um abraço no ❤️

21/01/2026

Cidade dos Anjos foi um clássico da minha geração. E eu assisti ele pela milésima vez, ontem à tarde. Um filme que falava de amor, finitude e escolha numa época em que ainda não usávamos essas palavras com tanta consciência, mas já sentíamos tudo isso. No enredo, anjos observam silenciosamente a vida humana. Eles não tocam, não interferem, não sentem dor. Até que um deles se apaixona por uma médica e, diante dessa experiência, recebe algo raro: o livre-arbítrio. Ele escolhe cair. Escolhe tornar-se humano para SENTIR, mesmo sabendo que SENTIR inclui perder.

Há uma cena especialmente potente: depois da perda, já humano, ele conversa com seu amigo anjo sobre a injustiça da morte. Sobre como não faz sentido amar tanto para perder tão cedo. E o anjo o escuta. Sem corrigir minimizar. Apenas sustentando a dor, como deveria ser no luto. E é aqui que o filme toca exatamente no que digo tantas vezes aos meus pacientes enlutados:

👉 Valeu a pena.
Mesmo tendo perdido.
Mesmo doendo.
Mesmo sendo injusto.

O amor vivido não é apagado pela morte. A experiência não se anula, porque acabou. Pelo contrário: é justamente porque foi intensa que dói. E, ainda assim, valeu. Em Cidade dos Anjos, a mensagem não é romântica no sentido ingênuo. Ela é profundamente existencial:Viver é escolher sentir e aceitar o preço disso. Amar é aceitar a vulnerabilidade da perda. E o luto, por mais cruel que pareça, é a prova de que algo foi real. Talvez o maior ensinamento do filme e do luto, seja este: Não nos arrependemos de ter amado. O que dói não é ter vivido, mas é não poder continuar.

Um abraço no ❤️

Janeiro Branco nos convida a olhar para a saúde mental. E, para quem trabalha diariamente com a dor, o sofrimento, a per...
20/01/2026

Janeiro Branco nos convida a olhar para a saúde mental. E, para quem trabalha diariamente com a dor, o sofrimento, a perda e a finitude, esse convite é ainda mais urgente. Médicos, médicos veterinários, equipes de serviços funerários e tantos outros profissionais convivem com histórias difíceis, decisões complexas e emoções intensas que, muitas vezes, não encontram espaço para serem elaboradas. Cuidar do outro não nos torna imunes ao adoecimento emocional. Pelo contrário: a exposição constante ao sofrimento humano (e animal) exige pausas conscientes, cuidado interno e sustentação emocional. Sem isso, o risco de esgotamento, insensibilização ou sofrimento silencioso aumenta.

Alguns cuidados essenciais para quem cuida:

✨ Reconheça seus limites:
Você não precisa ser forte o tempo todo. Sentir cansaço, tristeza ou dúvida não é fraqueza, mas sim humano.

✨ Tenha espaços de fala:
Supervisão, terapia, grupos de apoio ou conversas seguras com colegas ajudam a metabolizar o que não pode ser levado para casa.

✨ Crie rituais de encerramento:
Encerrar o dia, uma perda ou um atendimento difícil com um pequeno ritual simbólico ajuda o corpo e a mente a não carregarem tudo sozinhos.

✨ Cuide do corpo como parte da mente:
Sono, alimentação, pausas reais e movimento não são luxo, mas proteção emocional.

✨ Permita-se não dar conta de tudo:
Você acompanha processos, mas não controla destinos. Sustentar essa verdade preserva sua saúde mental.

✨ Procure ajuda profissional quando necessário:
Quem cuida também merece cuidado especializado.

Neste Janeiro Branco, que a saúde mental dos profissionais que lidam com a dor não seja invisível. Cuidar de si não diminui sua competência, mas sustenta sua presença, ética e humanidade. Se você é um profissional que sente o peso silencioso desse trabalho, saiba: você não está sozinho.
Falar também é uma forma de cuidado.

Um abraço no ❤️

No luto, o pensamento nem sempre caminha pela lógica. E isso não é fraqueza, nem negação pura, mas é proteção. O pensame...
19/01/2026

No luto, o pensamento nem sempre caminha pela lógica. E isso não é fraqueza, nem negação pura, mas é proteção. O pensamento mágico aparece quando a dor é grande demais para ser sentida de uma vez. É quando imaginamos que quem partiu está viajando, dormindo, olhando por nós de algum lugar. Não porque não sabemos da morte, mas porque o coração ainda não consegue sustentá-la por inteiro.
Ele cumpre funções importantes:
• Ajuda a dosar a dor, tornando a perda emocionalmente suportável
• Cria um intervalo de segurança entre a perda e a consciência plena dela
• Mantém o vínculo vivo enquanto o psiquismo aprende a se reorganizar
• Oferece conforto quando a realidade ainda é dura demais

O problema não é o pensamento mágico existir. O cuidado está em quando ele se cristaliza e impede o contato gradual com a realidade, bloqueando o processo de elaboração do luto. No acompanhamento terapêutico, não se trata de arrancar essas fantasias, mas de respeitar seu tempo, compreender sua função e, aos poucos, ajudar o enlutado a integrar a perda sem precisar se proteger o tempo todo. Porque, no luto, imaginar também é uma forma de sobreviver. Se isso fez sentido para você, saiba: não é loucura, não é regressão, mas sim, o psiquismo tentando amar e suportar ao mesmo tempo.

Um abraço no ❤️

Nos últimos dias, temos visto um aumento signif**ativo de reportagens, pesquisas e debates nas mídias sociais sobre o lu...
16/01/2026

Nos últimos dias, temos visto um aumento signif**ativo de reportagens, pesquisas e debates nas mídias sociais sobre o luto pela perda de um animal de estimação. Um tema que por muito tempo foi minimizado, silenciado ou tratado como “exagero”, agora começa a ser reconhecido como o que realmente é: uma dor legítima, profunda e transformadora.

Uma pesquisa recente realizada no Reino Unido traz dados que ajudam a explicar por que esse assunto precisa ser levado a sério:
👉 1 em cada 5 adultos que perderam um pet afirmou que essa experiência foi mais angustiante do que a morte de um ente querido. Além disso, foram identif**adas taxas signif**ativas de sintomas de Transtorno do Luto Prolongado nesses tutores.

🔍 Mas o que é o Transtorno do Luto Prolongado?
É uma condição reconhecida clinicamente, caracterizada por:
• dor intensa e persistente pela perda
• dificuldade em aceitar a morte
• sensação de vazio, culpa ou perda de sentido
• sofrimento que não diminui com o tempo e interfere na vida emocional, social e funcional

No caso do luto pet, esses sintomas podem ser agravados pela falta de validação social. Muitas pessoas escutam frases como:”Era só um animal”, “ adota outro” ou “isso passa rápido” E não passa. Porque não era “só um pet”, mas sim vinculo, rotina, amor e presença. Falar sobre isso é um ato de cuidado coletivo. Divulgar pesquisas, compartilhar informações e educar a sociedade ajuda: tutores a se sentirem menos sozinhos, profissionais a oferecerem acolhimento adequado e familiares e amigos a compreenderem melhor essa dor

🤍 Se este post fez sentido para você, encaminhe, reposte ou marque alguém.
Você pode ser o elo que ajuda outra pessoa a entender que o que ela sente tem nome, tem explicação e merece cuidado. O luto pet existe. E finalmente, está sendo reconhecido.

Um abraço no ❤️

15/01/2026

No luto, a dor costuma falar mais alto. Ela chega primeiro, ocupa espaço, pesa no corpo e no silêncio da casa. Mas o amor que foi vivido não desaparece com a perda, mas ele pede passagem pela memória. Resgatar as boas narrativas não apaga a saudade. Elas equilibram. Lembram que, antes da despedida, houve vida: riso, rotina, cuidado, presença.

Quando contamos as histórias bonitas, não negamos a dor. Nós a acolhemos ao lado do amor, e isso torna o luto mais respirável. Lembrar também é um ato de cuidado, com quem partiu e com quem ficou.

✨ Convite:
Conte nos comentários uma boa memória de um dia favorito com seu pet. Um passeio, um hábito, um momento simples que ainda aquece o coração. Que este espaço seja um lugar onde a dor possa existir
sem que o amor seja esquecido.

Um abraço no ❤️

Um agradecimento especial aos mais novos superfãs! 💎Roseli SantisDeixe um comentário para dar a eles as boas-vindas à no...
14/01/2026

Um agradecimento especial aos mais novos superfãs! 💎

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