29/01/2026
Quando uma perda muito importante acontece, não existe uma reação “certa”. A teoria contemporânea do luto nos ajuda a entender algo fundamental: as pessoas não reagem de forma igual porque o luto não é uma emoção única, mas um processo complexo, influenciado por história de vida, vínculos, experiências anteriores, crenças, recursos emocionais e contexto. Há quem chore imediatamente, quem fique em silêncio, quem siga funcionando como se nada tivesse acontecido, quem precise falar sem parar é há quem demore dias (ou semanas) para sentir algo que faça sentido.
Nenhuma dessas respostas, por si só, indica amor maior ou menor, nem força ou fraqueza.
Elas indicam formas diferentes de o cérebro e o corpo tentarem assimilar uma ruptura profunda. Algumas pessoas reagem de maneira mais emocional e expressiva. Outras entram em um estado mais prático, racional ou contido. Isso não é frieza, mas muitas vezes é proteção. É o sistema psíquico tentando evitar um colapso imediato diante de algo grande demais para ser sentido de uma vez. O luto não acontece apenas no choro, mas também acontece no corpo anestesiado, na negação inicial, na organização excessiva, no humor deslocado, no silêncio prolongado. A teoria contemporânea nos afasta da ideia de “fases obrigatórias” e nos aproxima de algo mais humano: o luto é vivido em ondas, em ritmos próprios, e de formas singulares. Por isso, comparar reações machuca, cobrar sentimentos machuca e interpretar o jeito do outro como falta de amor machuca.
Respeitar o tempo, a forma e o modo de cada um é uma das maiores expressões de cuidado diante da perda. No luto, não é sobre como você reage. É sobre como você consegue, pouco a pouco, continuar existindo depois daquilo que mudou tudo.
Um abraço no ❤️