03/02/2018
Dar orientação ou inspiração para nova geração de psicoterapeutas, é muito difícil nos dias de hoje, porque nosso campo encontra-se em uma grande crise. Temos um sistema de assistência médica (planos de saúde) impulsionado pela economia exige uma modificação radical no tratamento psicológico, agora a psicoterapia é obrigada a ser ágil – ou seja, acima de tudo econômica, e de maneira forçada, breve, superficial e inconsistente.
Preocupa-me a questão de onde os psicoterapeutas eficazes irão receber seu “treinamento”. Infelizmente psicólogos clínicos enfrentam essas questões de mercado e as universidades, cada vez mais reagem com um ensino de uma terapia orientada por sintomas, breve e, portanto, reembolsável. É bem comum hoje em dia vermos profissionais fazendo suas sessões em 30 minutos, ou até menos.
Muito me preocupam as psicoterapias, ou como elas poderão ser deformadas pelas pressões econômicas e empobrecidas por programas de treinamento radicalmente abreviados. Mesmo assim sou otimista, espero que futuramente uma coorte de terapeutas oriundos de uma variedade de disciplinas educacionais dediquem-se a um rigoroso treinamento em nível de pós graduação, mesmo sob pressão da realidade das empresas de seguros e assistência médica, encontre pacientes que desejem crescimento e mudança dispostos a assumir um compromisso com a terapia.
Rafael Leitoles Remer - Psicólogo