15/04/2026
Cansaço, irritação, culpa, desânimo.. Se você tem diabetes, principalmente DM1, talvez já tenha sentido isso.
Mas esses sentimentos podem ter nomes diferentes, e isso muda o cuidado.
Viver com o diabetes não é só cuidar da glicose.
É cuidar de uma rotina que não pausa, de decisões o tempo todo, de um corpo que exige atenção constante. E isso cansa - mais do que muitas pessoas conseguem ver de fora.
Por isso, é importante entender que nem todo sofrimento emocional é igual. Tem dias em que o que aparece é o estresse da vida mesmo - trabalho, família, responsabilidades… e o diabetes acaba sendo mais uma coisa no meio de tudo isso.
Em outros momentos, o que surge é um cansaço muito específico, que é conhecido como no campo científico de distress diabético. É quando a pessoa se sente sobrecarregada pela necessidade constante do próprio cuidado com a doença: medir, calcular, ajustar, pensar na alimentação, lidar com medo de hipoglicemia… como se nunca desse para “desligar”.
E, muitas vezes, esse distress também revela algo mais profundo: a dificuldade de aceitar um diagnóstico que não vai embora, e que exige aprender a viver apesar dele. Não é só sobre o que fazer, é sobre lidar com o fato de que o diabetes passou a fazer parte da vida.
E existe também a depressão, um transtorno mental que vai além disso tudo. Ela não afeta só o cuidado com o diabetes, mas a vida como um todo, trazendo desânimo persistente, perda de interesse, uma sensação de vazio ou de falta de energia para viver.
Por que é tão importante diferenciar isso?
Porque cada uma dessas experiências precisa de um tipo de cuidado diferente.
Mas tem algo em comum entre todas elas: você não precisa lidar com isso sozinho.
Cuidar do diabetes também é cuidar das emoções.
E reconhecer o que você está sentindo não é fraqueza, é um passo importante para se cuidar melhor.
Se está difícil, peça ajuda.
Falar sobre isso também faz parte do tratamento.
Dra Maria do Desterro Figueiredo
Psicóloga do