27/01/2026
Perdido no excesso: o que “De Tanto Amor” revela sobre nós?
Imagine-se afogado em um mar de afeto, onde o “eu” se dissolve como sal na onda. É isso que Roberto Carlos canta em “De Tanto Amor”, voz que Nando Reis reacende, pintando o colapso do sujeito no vórtice da paixão. Freud (1921) já via nisso o libido migrando do self para o amado, uma fusão que embriaga – até o delírio confessado: “Ah! Eu enlouqueci”. Prazer e risco dançam no fio da navalha, onde amar demais é se anular.
O adeus que corta a alma
“Vou chorar mais uma vez”: o rompimento não é só perda de um corpo, mas o luto freudiano (1917), esse despir lento da energia presa ao ausente. Doloroso, gradual, como arrancar raízes vivas. E o “erro”? Não uma culpa banal (“Aí foi que eu errei”), mas o instante em que se vê: entreguei-me inteiro e me quebrei no processo. O eixo da identidade, torto pela ilusão de completude.
A falta que nos move
Lacan (1998) chamaria isso de falta primordial – o buraco que alimenta o desejo, forçando-nos a soltar. No olhar final “nos olhos seus”, resistimos ao vazio, sonhando com união eterna. Mas o corte vem, implacável. Eros clama pela fusão; Thanatos, pela ruptura. A canção é espelho dessa guerra interna: no desamor, perdemos o outro… e nos achamos, partidos, mas inteiros.
Você já sentiu esse afogamento no amor? O que ele esconde sobre seus padrões repetidos?