Sara Saad − Psicologia e Psicanálise

Sara Saad − Psicologia e Psicanálise Consultório de psicologia e psicanálise para crianças, adolescentes e adultos. Entre, sirva uma xícara de café e fique à vontade!

Aqui é um lugar onde falaremos sobre questões do dia a dia de uma forma leve e acessível, sempre trazendo a visão da psicologia e psicanálise. Sara Saad é psicóloga com mais de 10 anos de experiência e especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise, atendendo crianças, adolescentes e adultos.

27/01/2026

Perdido no excesso: o que “De Tanto Amor” revela sobre nós?

Imagine-se afogado em um mar de afeto, onde o “eu” se dissolve como sal na onda. É isso que Roberto Carlos canta em “De Tanto Amor”, voz que Nando Reis reacende, pintando o colapso do sujeito no vórtice da paixão. Freud (1921) já via nisso o libido migrando do self para o amado, uma fusão que embriaga – até o delírio confessado: “Ah! Eu enlouqueci”. Prazer e risco dançam no fio da navalha, onde amar demais é se anular.

O adeus que corta a alma

“Vou chorar mais uma vez”: o rompimento não é só perda de um corpo, mas o luto freudiano (1917), esse despir lento da energia presa ao ausente. Doloroso, gradual, como arrancar raízes vivas. E o “erro”? Não uma culpa banal (“Aí foi que eu errei”), mas o instante em que se vê: entreguei-me inteiro e me quebrei no processo. O eixo da identidade, torto pela ilusão de completude.

A falta que nos move

Lacan (1998) chamaria isso de falta primordial – o buraco que alimenta o desejo, forçando-nos a soltar. No olhar final “nos olhos seus”, resistimos ao vazio, sonhando com união eterna. Mas o corte vem, implacável. Eros clama pela fusão; Thanatos, pela ruptura. A canção é espelho dessa guerra interna: no desamor, perdemos o outro… e nos achamos, partidos, mas inteiros.

Você já sentiu esse afogamento no amor? O que ele esconde sobre seus padrões repetidos?

20/01/2026

Chapeuzinho Vermelho não fala só de uma menina e um lobo.
Fala de encontros que parecem inocentes… mas escondem perigo.

O lobo não chega gritando.
Ele chega falando baixo, sendo gentil, dizendo que quer ajudar.
O abusador também.

Na psicanálise, o abusador muitas vezes ocupa o lugar daquele que quer ser tudo para o outro:
controla, define, protege “demais”, decide, guia…
mas por trás disso existe uma necessidade de poder, não de amor.

Ele não suporta que o outro tenha desejo próprio.
Então vai minando:
primeiro a autonomia, depois os vínculos, depois a identidade.

Assim como o lobo desvia Chapeuzinho do caminho,
o abusador afasta a pessoa de si mesma.

E o mais perigoso:
ele faz isso dizendo que é “por amor”.

Mas amor não aprisiona.
Amor não apaga quem você é.
Amor não exige que você se perca para o outro existir.

Cuidado com quem quer te salvar…
tirando de você o direito de ser.

16/01/2026

Às vezes, o maior medo da infância não vem do mundo lá fora, vem de dentro de casa.

O retrato dessa mãe controladora e abusiva mostra algo que muita gente viveu, mas nunca conseguiu nomear: quando o amor vira condição, quando o cuidado vira cobrança, quando ser filho vira ter que merecer existir.

Na infância, a gente aprende quem é a partir do olhar de quem cuida. Se esse olhar julga, controla e humilha, a criança cresce achando que precisa se moldar para não ser abandonada. E aí nasce um adulto que:
— tem medo de errar
— vive buscando aprovação
— se culpa por sentir
— se sente insuficiente mesmo quando faz tudo certo

Não é só sobre uma mãe difícil. É sobre uma marca invisível que f**a quando quem deveria proteger se torna ameaça.

Muita gente não sofre pelo que vive hoje, mas pelo que precisou ser ontem para sobreviver.

E talvez amadurecer não seja virar “forte”, mas ter coragem de olhar para essa criança ferida e dizer: você não precisava ter sido perfeito para merecer amor.

11/01/2026

O poema nos mostra que ninguém nasce “do zero”.
A gente nasce dentro de histórias que já estavam acontecendo antes da gente chegar.

Cada mulher que fala no poema carrega marcas do que viveu: silêncio forçado, dor, luta, sobrevivência.
Mas a voz de uma nunca apaga a da outra — elas se juntam.

É assim também com a gente.
O jeito que falamos, sentimos, amamos e sofremos não começa só na nossa infância.
Vem de antes: da família, da história, do que foi calado, do que foi suportado.

Quando a última voz aparece no poema, ela não é só mais livre.
Ela é feita de todas as outras.
Ela fala porque outras tentaram.
Ela existe porque outras resistiram.

Esse poema lembra uma coisa simples e profunda:
a gente não carrega só o próprio nome.
Carrega histórias que nunca foram totalmente contadas —
e que agora encontram um jeito de existir pela nossa voz.

06/01/2026

Talvez você entre em 2026 com os ferimentos ainda frescos de escolhas que pesam nos ombros.

Relacionamentos que não deram certo, decisões que trouxeram destruição, e agora você sente aquela verdade crua que o Freud ouviu de seu paciente desesperado: a vida é vazia, é incerta, é angústia.

Sim, a vida é tudo isso. Mas você não precisa morrer por causa disso.

Reconhecer o vazio não é se entregar a ele. Sentir a angústia não é ser consumido por ela. A vida segue tendo seus vazios, suas incertezas, suas doenças invisíveis que habitam o desconhecido. Mas você também pode estar bem assim.

Como uma criança que descobre uma folha caída no chão — ela não nega a morte que aquela folha representa. Ela a observa, sente a textura, admira as cores do fim. E ainda assim, seu olho brilha. Seu coração pulsa com a curiosidade de simplesmente estar ali.

2026 não será a eliminação de suas dores. Será o retorno ao amor por estar vivo apesar delas.

Porque a verdade é que a vida não é só bela, mas você deve escolher vê-la com graça — ainda que seja feita de sombras e luz em proporções que nunca conseguimos controlar.

Esse é o convite: não para fugir da realidade, mas para dançar com ela. Para entender como transformar a angústia em sabedoria, e a dor em propósito.

Como você escolhe começar esse novo ano?

29/12/2025

Nem toda escuridão aparece de repente. Muitas vezes, ela começa como um pequeno “incômodo” que a gente aprende a ignorar.

Fomos ensinadas a dar o benefício da dúvida, a ser compreensivas, a acreditar que tudo “vai melhorar”. Mas maturidade também é reconhecer quando algo não está saudável — e honrar o que a nossa intuição tenta dizer em silêncio.

Perder a ingenuidade pode doer, mas ganhar consciência protege.
Gentileza não é se calar diante do que machuca. Amor não é suportar o intolerável. E luz não é negar a sombra — é enxergá-la com clareza para não ser engolida por ela.

Se algo dentro de você grita “isso não está certo”, escute.
Você merece relações onde exista respeito verdadeiro, cuidado real e segurança emocional. Ver a realidade como ela é não nos endurece — nos liberta.

20/12/2025

Muitas exigências que hoje parecem “falta de autoestima” ou “perfeccionismo” são, na verdade, estratégias antigas de sobrevivência emocional.

Quando a criança aprende que o amor vem condicionado — ao acerto, ao bom comportamento, ao desempenho — ela não aprende a ser, aprende a corresponder.
E cresce acreditando que errar é perigoso, que falhar ameaça o vínculo, que descansar é culpa.

Na vida adulta, essa lógica se repete:
➡️ autocobrança excessiva
➡️ medo constante de errar
➡️ dificuldade de se sentir suficiente, mesmo fazendo muito

A psicanálise nos ajuda a entender que isso não é “fraqueza”, mas uma marca de relações onde o afeto não era vivido como seguro.
O trabalho terapêutico não é apagar o passado, mas desatar essas repetições — para que o adulto não precise continuar vivendo sob regras que nasceram na infância.

Reconhecer essa origem é o primeiro passo para construir uma relação mais gentil consigo mesmo.

Você se identificou com isso? Salve este post ou compartilhe com alguém que precisa ler.

A violência não começa no tapa.Começa quando a palavra é silenciada, quando o “não” não é autorizado, quando o outro dei...
16/12/2025

A violência não começa no tapa.
Começa quando a palavra é silenciada, quando o “não” não é autorizado, quando o outro deixa de ser sujeito.

Sob a lente da psicanálise, a agressão revela a impossibilidade de lidar com a diferença — e nunca a culpa de quem sofre.

Falar, nomear, simbolizar é um ato de resistência.
Onde há palavra, há possibilidade de ruptura do ciclo. 💛

11/12/2025

Algumas pacientes tem me perguntado sobre o assunto, então aí vão 6 sinais que você está vivendo em uma relação de abuso.

Precisa de ajuda para entender e lidar com sua emoções? Me chame, vamos conversar 💛

06/12/2025

A ansiedade nem sempre é apenas um sintoma — muitas vezes, aquela inquietação constante funciona como um mecanismo de escape. Quando deixamos de olhar para ela, pode ganhar força e se tornar um fardo ainda maior, abrindo caminho para estados depressivos.

A gente se ocupa com o medo do que pode acontecer amanhã para não precisar encarar o que já nos dói hoje.

Então, faça uma pausa e se questione: do que você tem tentado se esconder? A terapia é um convite para desacelerar e voltar o olhar para dentro.

Você não precisa passar por isso sozinha. Caminhamos juntas? 💛

Créditos: Psiquiatra Dr. Alfredo Simonetti

03/12/2025

O homem que não se posiciona não é ‘fraco’. Ele é alguém que aprendeu, cedo demais, que assumir o próprio desejo era perigoso.”

Na psicanálise, o sujeito que evita decisões, responsabilidades e movimentos não está apenas sendo passivo.
Ele está repetindo um roteiro infantil: o de uma criança que cresceu sem amparo, sem voz, sem o olhar que valida suas escolhas.

Quando o menino percebe que não há quem o sustente emocionalmente, ele aprende a sobreviver apagando-se.
Não pede.
Não decide.
Não confronta.
Porque, no passado, desejar significou f**ar sozinho, perder afeto ou ser punido.

E esse padrão reaparece na vida adulta como homens que:

– evitam compromissos,
– adiam decisões essenciais,
– esperam que o outro defina o rumo,
– se escondem atrás da inércia,
– paralisam quando precisam agir.

Não é falta de capacidade.
É defesa psíquica.

A cena da cobrança — quando alguém diz “se você continuar assim, vá embora” — toca exatamente na ferida: o ponto em que ele precisa deixar de sobreviver e finalmente existir.

A saída não é força. É ressignif**ação.
É entender que, apesar da história, agora é seguro desejar.
É seguro escolher.
É seguro ocupar um lugar no mundo.

Porque a verdadeira fraqueza não está em errar — mas em nunca se autorizar a viver.

30/11/2025

A mulher que se isola quando dói carrega a menina que um dia aprendeu que chorar era vergonha e pedir ajuda era perigoso.
O silêncio virou armadura. O isolamento, abrigo.
Mas o que um dia a protegeu, hoje a aprisiona.

A dor não falada volta como ciclo.
A vulnerabilidade não é fraqueza — é coragem.
É o começo da liberdade.

E para entender mais sobre a análise terapêutica , clique no link da bio e entre em contato. 💛

Endereço

Curitiba, PR

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 20:00
Terça-feira 08:00 - 20:00
Quarta-feira 08:00 - 20:00
Quinta-feira 08:00 - 20:00
Sexta-feira 08:00 - 20:00

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Sara Saad − Psicologia e Psicanálise posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar

Share on Facebook Share on Twitter Share on LinkedIn
Share on Pinterest Share on Reddit Share via Email
Share on WhatsApp Share on Instagram Share on Telegram

Categoria