23/03/2026
🦑 O sacrifício materno dos polvos é biologicamente programado. Após a reprodução, uma glândula óptica (equivalente à hipófise humana) ativa uma cascata hormonal que desliga o apetite da fêmea e ativa comportamentos compulsivos de cuidado com os ovos.
A mãe ventila os ovos com jatos de água para oxigená-los, remove parasitas e algas, e defende o ninho contra predadores sem se alimentar por todo o período de incubação.
Em espécies de águas rasas, isso dura 1 a 3 meses. Mas em 2014, pesquisadores do MBARI (Monterey Bay Aquarium Research Institute) documentaram uma fêmea de polvo Graneledone boreopacifica em águas profundas do Pacífico protegendo seus ovos por 4,5 ANOS (53 meses) a 1.400 metros de profundidade.
Câmeras de ROV a visitaram 18 vezes durante esse período. A cada visita, ela estava mais magra, mais pálida e mais deteriorada, mas sempre sobre os ovos. Na última visita, os ovos haviam eclodido e a mãe havia desaparecido, presumivelmente morta.
É o maior período de incubação conhecido no reino animal. Quando cientistas removeram experimentalmente a glândula óptica de polvos fêmeas, elas voltaram a comer, pararam de cuidar dos ovos e viveram significativamente mais, provando que a morte é geneticamente programada para garantir que toda a energia da mãe vá para a próxima geração.