12/01/2026
A forma como nos relacionamos com o pai influencia profundamente nossa autoestima, nossos relacionamentos afetivos, nossas escolhas e até a forma como nos posicionamos no mundo.
Muitas mulheres carregam, sem perceber, uma tentativa inconsciente de serem vistas, aprovadas ou reconhecidas por ele.
Escrever uma carta é um movimento terapêutico poderoso.
Não é para enviar.
É para organizar a alma, devolver o que não é seu e ocupar o seu lugar.
Se sentir, use a carta abaixo como modelo simbólico.
Leia, adapte, chore, escreva do seu jeito.
O importante é o movimento interno.
Carta-modelo (para copiar e usar)
Hoje, pai...
falo de um lugar que demorei anos para encontrar:
o de filha,
apenas sua filha
Quando eu era pequena, eu tentei merecer o teu olhar,
Busquei teu orgulho, tua presença, teu afeto
E, na ausência deles acreditei que algo em mim era pouco
Fiz esforço para ser forte, perfeita, suficiente
E sem perceber, carreguei o peso de te provar que valia a pena ficar
Cresci confundindo amor com conquista
Mas hoje eu entendo...
Esse lugar me prendeu no passado,
me fez repetir histórias,
me afastou da mulher que eu posso ser
Por isso hoje, simbolicamente, eu te devolvo com amor o que não me corresponde:
Tua ausência
Tuas dores
Teu destino
Assumo o meu lugar de filha, nada mais
E, desse lugar, eu te honro
Você me deu a vida, e eu escolho vivê-la com a minha força, com o meu passo
Já não sou a menina que tenta merecer o teu olhar
Sou a mulher que caminha com a força da tua linhagem dentro de mim
E se um dia nos encontrarmos na alma, que seja no amor, não na carência
Obrigada pai, pelo que pôde me dar e pelo que não pôde também
Hoje eu sigo adiante com a força que recebi e com a vida que agora é minha para viver
Com amor
Sua filha
Se esse tema tocou você, saiba: isso pode ser cuidado em terapia.
Você não precisa atravessar esse processo sozinha.