05/10/2025
Durante muito tempo, eu achava que era só sobre ‘educar bem’, cuidar da casa, dos pacientes...
Mas percebi que, no fundo, o que meu corpo mais pedia era algo que eu não sabia nomear:
pertencimento.
E esse pertencimento tinha a ver com um “além da família”.
Quando minha filha nasceu, algo antigo se reativou dentro de mim.
Era como se aquela criança que eu fui, a que queria estar mais perto da mãe, a que tentava ser percebida, tivesse voltado a pedir espaço.
Eu me via impaciente, cansada, intolerante às demandas dela… até entender que o que doía nela era o eco do que ainda doía em mim.
A neurociência explica isso com clareza:
nossos neurônios-espelho são o que nos permitem sentir o outro.
São eles que constroem empatia, vínculo e segurança.
Quando aprendemos a sentir de verdade, e não apenas reagir, o cérebro começa a reorganizar caminhos antigos de defesa e abrir espaço para novas experiências de amor e presença.
Hoje, aos 47 anos, minha busca tem sido essa: sentir mais profundamente, estar presente, me incluir.
Tenho descoberto essa sensação de pertencimento em lugares simples, no corpo em movimento, nas conversas sinceras, nos olhares que se encontram sem precisar de palavras, mas nas palavras que alguns me dizem também.
E na relação com minha filha tudo se torna mais nítido.
Com ela aprendo, todos os dias, que a criação consciente é um terreno sagrado de transformação. (Dolorido muitas vezes …)
Porque enquanto a ensino a se sentir segura no mundo, eu mesma aprendo a me sentir segura dentro de mim.
Cada momento entre nós, um passeio, um abraço, um olhar trocado, uma aula de crossfit juntas, é também uma experiência corretiva, um novo registro sendo escrito no meu sistema nervoso.
Ela me chama de mãe.
Mas, no fundo, é ela quem me ensina a amar de um jeito que repara, reconstrói e devolve sentido à vida.
Você tem relações as quais sente estar reprogramando algo?