28/05/2019
Há alguns meses atrás eu concedi uma entrevista para a revista Viver Bem da Gazeta do Povo relacionada a minha área de estudo e pesquisa. Fico grata pelo espaço por poder falar sobre a redução de danos não apenas como um erro conceitual, mas como uma prática e cuidado válida para quadros em que os pacientes fazem uso de substâncias psicoativas.
Seguem partes da matéria e entrevista:
"“Assim como outros tipos de dependência, a dependência do álcool se apresenta em diferentes padrões e níveis. O simples e controlado consumo não sinaliza qualquer tipo de dependência, mas o uso abusivo, que começa a manifestar necessidade de reposição ou sintomas físicos e mentais de abstinência, alerta para um vício instalado”, comenta a psicóloga Juliana de Oliveira Pierin, especialista em psicanálise e saúde mental, e mestranda pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em psicologia clínica, cuja linha de pesquisa é clínica psicanalítica e política de redução de danos.
Segundo ela, diferentes estudos na área apontam que a abordagem individualizada em três vias – biológica, psíquica e social – é o tratamento mais recomendado.
“Tudo deve ser analisado, inclusive o contexto em que o paciente vive e suas relações sociais e com familiares. Um tratamento bem instituído conta com acompanhamento psiquiátrico, assistência social, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e até mesmo medicamentos. Enfim, é multidisciplinar”, diz Juliana.
A redução de danos, linha de pesquisa da psicóloga, segundo a Associação Internacional de Redução de Danos (IHRA) é definida como “políticas e programas que tentam principalmente reduzir, para os usuários de dr**as, suas famílias e comunidades, as consequências negativas relacionadas à saúde e a aspectos sociais e econômicos decorrentes de substâncias que alteram o temperamento” – sendo o álcool uma delas.
Essa estratégia, na prática, foca nas consequências do ato e não nos comportamentos em si, sem julgar o consumo. Estratégia pragmática, ela não busca políticas ou alternativas que sejam inatingíveis ou que criem mais danos que benefícios, e está calcada na aceitação da integridade e responsabilidade individuais.
Vista como inovadora, essa abordagem, que não promove a abstinência, vem sendo bem-sucedida há alguns anos, especialmente em países em transição, que ainda vêm delineando suas políticas em relação ao álcool.
“Exigir abstinência total ou impor outras condutas que o paciente não tem condições de suportar não é mais o caminho. Uma vez que não falamos em cura dentro do alcoolismo, a política de redução de danos vem se revelando uma ótima prática, que foca no manejo, no apoio da família, na reeducação das relações sociais e considera, inclusive, as recaídas e reincidências”, comenta Juliana."
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Levado para o centro das brincadeiras sobre exageros na hora da diversão, o ator é defendido por colegas. Leia mais em Viver Bem!