02/02/2026
Eu vivi algo que muitas mulheres vivem em silêncio.
Quando uma mulher começa a reagir, a colocar limites, a questionar mentiras, ela vira “a louca”, “a surtada”, “a ciumenta”. É assim que a história costuma ser contada — mas essa versão esconde muita coisa.
O que não é contado é a pressão psicológica diária.
Os rebaixamentos, as humilhações, os xingamentos.
As ofensas feitas na frente dos filhos.
As coisas quebradas dentro de casa.
O álcool em excesso.
O flerte constante com outras mulheres, inclusive pela internet.
O que não é contado é o medo.
É tentar terminar e não conseguir, porque a pessoa não vai embora.
É ouvir ameaças.
É ser encurralada contra a parede.
É ter o pescoço segurado.
É perceber que a relação virou um lugar de violência, não de amor.
Eu não sou surtada.
Eu reagi ao abuso.
Eu adoeci num ambiente que me machucava todos os dias.
E falo isso não por vingança, mas por alerta:
quando alguém chama uma mulher de “louca”, vale perguntar o que fizeram com ela antes.
Violência nem sempre deixa marcas visíveis.
Mas deixa cicatrizes profundas.
Se você vive algo parecido, saiba: você não está sozinha.
E você não é o problema.