15/04/2026
Caso Clínico: Luxação de Faceta Cervical
Apresentação do Caso
Paciente masculino, 32 anos, vítima de acidente automobilístico de alta energia, apresenta-se ao departamento de emergência com dor cervical intensa, tetraparesia e déficit neurológico. O mecanismo de trauma envolveu colisão frontal com flexão forçada do pescoço.
Exame Físico Inicial
- Estado geral: Paciente consciente, Glasgow 14, imobilizado em prancha rígida com colar cervical
- Exame neurológico: Tetraparesia assimétrica, força muscular grau 3/5 em membros superiores e 2/5 em membros inferiores, nível sensitivo em C6, reflexos tendinosos profundos exaltados abaixo do nível da lesão, sinal de Babinski bilateral positivo
- Exame cervical: Dor à palpação em região cervical média, sem deformidade externa evidente
Exames de Imagem
- Radiografia cervical lateral: Subluxação anterior de C6 sobre C7 com deslocamento de aproximadamente 50% do corpo vertebral
- Tomografia computadorizada (TC): Luxação bilateral de facetas articulares em C6-C7 (“jumped facets”), com as facetas articulares superiores de C7 posicionadas anteriormente às facetas inferiores de C6
- Ressonância magnética (RM): Compressão medular significativa, edema da medula espinhal, hérnia discal traumática em C6-C7, ruptura do complexo ligamentar posterior
Classificação da Lesão
Luxação bilateral de facetas cervicais C6-C7, representando uma lesão altamente instável com comprometimento neurológico significativo (ASIA C). O nível C6-C7 é o mais comumente afetado, representando 38,5% das luxações de facetas cervicais.
Achados Clínicos Relevantes
A luxação bilateral de facetas está associada a alto risco de lesão medular, com estudos demonstrando que fatores preditivos de lesão neurológica incluem: deslocamento bilateral das facetas, maior translação vertebral, menor diâmetro do canal espinhal e compressão medular. Neste caso, a translação de 50% e o diâmetro do canal reduzido a aproximadamente 8 mm correlacionam-se com o déficit neurológico grave apresentado.