12/04/2026
Essa semana, no consultório, em atendimentos com mães vivendo o puerpério, surgiu uma pergunta importante — e muito legítima:
“De quem você cuida no tratamento psicológico nessa fase: de mim ou do meu bebê?”
A resposta é: de você, dele… e, sobretudo, da relação.
Cuidando de você, estou cuidando dele.
Quando falamos em saúde mental na perinatalidade, não estamos falando apenas da mãe que sofre (e que precisa, sim, de cuidado e escuta). Estamos falando, principalmente, do bebê — um sujeito em constituição, que depende profundamente de um outro que o reconheça, o sustente e o inscreva em um lugar de desejo.
A clínica e as pesquisas nos mostram: quando esse encontro falha ou se fragiliza, o bebê pode não responder, não reagir, não se implicar. E isso não é “manha” ou “fase” — é um sinal. Um chamado.
Cuidar da mãe é, também, cuidar do bebê.
Sustentar a mãe é sustentar o laço.
Intervir precocemente é apostar na constituição psíquica dessa criança.
A perinatalidade pede presença, escuta e delicadeza.
Porque é nesse começo que muita coisa se escreve — ou deixa de se escrever.
Se existe sofrimento, existe também possibilidade de cuidado.
E quanto antes, melhor.