10/12/2025
A criança fala de muitos jeitos.
Às vezes, é no gesto miúdo.
Às vezes, na inquietude que parece transbordar.
Às vezes, na dispersão que a afasta do que está bem diante dela.
Às vezes, na birra que insiste.
E, tantas vezes, no silêncio que pesa mais do que parece.
Quando o comportamento é escutado, algo nela encontra repouso.
E, nesse pequeno descanso, um mundo novo pode começar a nascer.
No meu trabalho, vejo todos os dias como o brincar desliza por caminhos que as palavras ainda não alcançam.
Como o corpo revela histórias que a criança ainda não sabe dizer.
E como, quando o adulto que a cuida passa a reconhecer esses sinais, a relação ganha novos contornos, mais leves, mais possíveis.
Porque nem tudo é patologia.
E nem tudo é transtorno.
Mas toda manifestação, da inquietude ao silêncio, merece ser acolhida com um olhar atento, sensível e cuidadoso, para que a criança possa seguir dizendo no seu tempo, do seu jeito. 🤍