11/04/2026
Uma relação terapêutica se caracteriza por ser essencialmente dialógica: nela, o sentido não é imposto, mas construído no encontro, permitindo que diferentes perspectivas coexistam e se transformem mutuamente. Ao contrário das relações patogênicas — marcadas pela lógica monológica, onde verdades rígidas disputam hegemonia —, a relação terapêutica sustenta um regime de verdade relacional, aberto e em permanente elaboração. Esse ambiente favorece a anamnese, isto é, a emergência e reorganização das memórias, integrando a experiência vivida em narrativas mais complexas e coerentes. Além disso, é um espaço onde a criatividade pode operar em múltiplas linguagens, permitindo a expressão e elaboração simbólica dos afetos. Seu fundamento ético é o reconhecimento da legitimidade do outro: cada sujeito é válido em sua existência, o que estabelece uma base de respeito, liberdade e co-presença. Quando essa legitimidade se perde, a relação degenera em dinâmicas de dominação, controle ou devoramento simbólico — e é nesse ponto que o vínculo deixa de ser terapêutico e se torna patogênico.