13/12/2025
Hoje faço 12 anos de formado em Medicina.
São quase 15 anos de envolvimento direto com a área que me fascina desde a infância: a cirurgia.
Às vésperas dos 40 anos, somado ao clima de final de ano, esse momento naturalmente me levou à reflexão.
Ainda dois anos antes de me formar, iniciei minha trajetória cirúrgica com estágios na grande Porto Alegre. Ali — e depois, ao longo da residência — percebi que a cirurgia exige muito de quem a exerce.
No meu segundo ano de residência, formulei uma frase que repito até hoje aos residentes:
“a cirurgia te dá… e te toma de volta.” Às vezes, no mesmo ato cirúrgico.
O ato cirúrgico em si é performático: habilidade técnica desenvolvida com experiência, decisões sob pressão, mente aguçada e olhos atentos.
Mas cirurgia é muito mais do que isso.
Cirurgia é indicação — e também contra-indicação.
É diagnóstico, é envolvimento com a família, é pós-operatório, é manejo de intercorrências.
A performance do ato cirúrgico se parece com a paixão de um relacionamento adolescente.
Todo o resto é o amor maduro de um casal que já passou por muitos percalços.
E maturidade cirúrgica é, invariavelmente, domar o ego e abraçar o processo —
porque a cirurgia acaricia o ego no ato e, eventualmente, o confronta no pós-operatório.
Quando tudo dá muito certo, vem à mente a lição estoica: memento mori.
Quando as coisas ficam difíceis, vem a lição igualmente necessária: isso também passa.
É o conforto filosófico que só a humildade pode trazer.
Agradeço de coração a todos que dividiram glórias e dificuldades comigo neste ano:
pacientes e famílias, que confiaram o maior bem;
colegas médicos e anestesistas, que dividiram decisões difíceis;
instrumentadores, técnicos, enfermeiros e todos que fazem o cuidado acontecer antes, durante e depois da cirurgia.
Que 2025 termine sereno, com a certeza de missão cumprida.
E que 2026 venha com desafios — e ainda mais aprendizado.