23/03/2026
Muitas vezes eu me surpreendo com pacientes ainda jovens, mas que por terem de ter carregado tanta bagagem, parecem ter uns 70+.
Por sobrevivência, tiveram de amadurecer rápido demais, ficar hipervigilantes e até mais controladores, por terem de olhar e agir em tantas frentes.
E, não, eles não passaram por isso porque “era pra eles”, mas porque alguém escolheu errado, alguém foi negligente com sua responsabilidade. E estes jovens cresceram com esse Manual de Sobrevivência, e infelizmente, por vezes, transformando violência, privação ou abandono afetivo em missão pra continuar vivo.
Estabelecer vínculos seguros não é algo natural, confiar que pode contar com a lealdade e a condução de alguém, bah, requer um grande processo de ressignificação. Porque, além dos modelos relacionais tortos já tão familiarizados, se faz necessário escolher quais das muitas vozes darão atenção - “isso era pra ti, tu és forte”, OU “o que te aconteceu pode ser transformado, mas nunca precisou acontecer”.
Portanto, não significa que esses sobreviventes acreditem na generalização “ninguém presta”, mas que precisam de maior tempo pra compartilhar confiança, algumas “checagens” aqui e ali até sua segurança emocional amadurecer e responsabilidade afetiva pra passarem a dar crédito ao amor.