04/01/2026
Aos pais.
“Tudo começa em casa”, afirma Winnicott, ao destacar que o ambiente familiar exerce papel central na constituição psíquica do sujeito. Para o autor, o desenvolvimento emocional saudável depende de um ambiente suficientemente bom, capaz de oferecer sustentação, cuidado e continência às experiências iniciais da criança.
John B. Watson, fundador do behaviorismo, reforça a relevância do ambiente ao afirmar: “Dê-me uma criança e farei dela o que quiser.” Essa declaração sintetiza sua concepção de que o comportamento humano é fundamentalmente moldado pelas contingências ambientais, base da teoria do estímulo e resposta, na qual a experiência tem papel determinante na formação do indivíduo.
John Bowlby, ao formular a Teoria do Apego, amplia essa compreensão ao evidenciar que a qualidade dos vínculos estabelecidos na infância influencia diretamente o modo como o sujeito se relacionará ao longo da vida. Vínculos seguros favorecem o desenvolvimento emocional, enquanto rupturas e inconsistências podem repercutir em dificuldades relacionais futuras.
Jacques Lacan, por sua vez, afasta-se da ideia de um desenvolvimento linear e propõe que a constituição do sujeito ocorre no campo da linguagem e do desejo do Outro — representado primordialmente pelos pais ou cuidadores. Nesse contexto, a criança pode ocupar o lugar de sintoma dos impasses parentais, expressando, em seu sofrimento, aquilo que não pôde ser elaborado no discurso familiar.
Os avanços da epigenética vêm corroborar essas formulações ao demonstrar que o ambiente exerce influência significativa sobre a expressão genética, podendo potencializar ou inibir determinadas predisposições biológicas. Assim, a herança genética não atua de forma isolada, mas em constante interação com as experiências vividas.
Dessa forma, apesar de partirem de referenciais teóricos distintos, essas abordagens convergem para um ponto fundamental: a qualidade das experiências na infância e na adolescência é decisiva para a constituição do sujeito, cujos efeitos reverberam de maneira profunda e duradoura na vida adulta.
Adultos estão sempre pisando no terreno da infância.