Psi Anna Carolina Cutrim

Psi Anna Carolina Cutrim Olá Sou psicóloga clínica (CRP-BA 03/15915), atendo adolescentes, jovens e adultos, com orientação psicanalítica.

VIIILobos? São muitos.Mas tu podes aindaA palavra na línguaAquietá-los.Mortos? O mundo.Mas podes acordá-loSortilégio de ...
22/09/2020

VIII
Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

_ Hilda Hilst em "Júbilo, memória, noviciado da paixão"

"O que parece é que, quanto menos o enigma do sintoma for formulável, ou seja, quanto maior for sua opacidade, mais inte...
14/09/2020

"O que parece é que, quanto menos o enigma do sintoma for formulável, ou seja, quanto maior for sua opacidade, mais intensa a angústia, mais será angustiante o fato de não poder encontrar causa do sintoma - se é que o sujeito tenha dado um passo no sentido e pensar que ele tem algo a ver com isso, que não é questão de hereditariedade, culpa do outro etc. Dito de outro modo, mais a angústia nesse contexto é nua, bruta, sem referência, no que concerne a suas causas e consequências, mais se apresenta torturante a questão da causa sob forma do vazio representativo que se apresenta no lugar onde o sujeito espera respostas, onde ele espera uma solução."

__Guy Trobas em "Angústia moderna, angústia de sempre".

Outro destaque que quero sinalizar é sobre a discussão do “lugar de fala”. Atualmente negras e negros, indígenas, mulher...
11/09/2020

Outro destaque que quero sinalizar é sobre a discussão do “lugar de fala”.

Atualmente negras e negros, indígenas, mulheres e LGBTQIA+ estão ocupando espaços que antes não eram permitidas entrar. Resistiram as tentativas de apagamento e silenciamento, e hoje falam (ou tentam falar) sobre seu sofrimento, resquícios de muitos séculos de repressão e negação de sua humanidade.

Mas existe um Outro grupo, a branquitude, que ainda recusa a escuta e o reconhecimento do sofrimento daqueles a quem determinaram como diferentes, desumanizados, irregulares ou selvagens, como também há resistência em reconhecer a própria branquitude.

Se hoje me percebo como pessoa racializada foi por causa das milhares de vozes de sujeitos que ocupam um lugar social de opressão que não conheço. Nesse sentido, por mais que existam pessoas brancas engajadas em combate as formas de opressão, cabe perguntar até que ponto estamos os escutando, já que o sistema é ra***ta e tende a invalidar suas vozes e seu conhecimento.

Enquanto psicóloga, a escuta é meu recurso de trabalho, se minha interpretação clínica está condicionada a uma teoria eurocêntrica, e portanto, colonizadora, me pergunto: será que a psiquiatria, psicologia e a psicanálise em vez de reconhecer o sofrimento e o lugar de fala de um grupo, não está sustentando uma posição de privilégio social, teórico e institucional de suas origens?

O convite a reflexão já nos foi dado e nossa escuta não pode ser seletiva!
_
Imagem II - Citação do livro "Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano" de Grada Kilomba

Dia 10 de setembro é o dia mundial da prevenção do suicídio. A campanha Setembro Amarelo foi pensada a fim de conscienti...
10/09/2020

Dia 10 de setembro é o dia mundial da prevenção do suicídio.

A campanha Setembro Amarelo foi pensada a fim de conscientizar a população pela valorização da vida, conscientizar as pessoas a buscarem por ajuda e também a estarem atentos no seu convívio social, com parentes, amigos ou desconhecidos.

O insuportável da dor é real! Pedir que essas pessoas falem é importante, mas estar acessível para ouvi-las é essencial.

Sem ter como compartilhar nossas angústias o sofrimento psíquico pode levar as pessoas a buscar por qualquer coisa que lhes dê a sensação de alívio como forma de silenciar sua dor.

Por isso a importância dessa campanha, pra mostrar que existem outras formas de amenizar a dor, outros meios de transformar nossos afetos sem reprimi-los.

A psicoterapia ou análise pode auxiliar no enfrentamento do sofrimento, por isso, peça ajuda ou ajude a procurar por uma escuta especializada!

Se você precisa de ajuda e estiver sozinho ligue para alguém de sua confiança, você também pode buscar ajuda no Centro de Atenção Psicossocial – CAPS mais próximo, pode ligar gratuitamente para 192 – SAMU, ou para o Centro de Valorização a Vida – CVV através do número 188 ou acessar o site.www.cvv.org.br

A escuta é parte essencial para uma comunicação possível, estar disposto a ouvir e escutar outra pessoa é a parte que ma...
09/09/2020

A escuta é parte essencial para uma comunicação possível, estar disposto a ouvir e escutar outra pessoa é a parte que mais tem sido negligenciada no mundo.

Estar disposto a ouvir, também quer dizer estar disposto/o a perceber outra pessoa além de si mesmo.

Uma parcela das pessoas estão tão preocupadas em falar (de si mesmas) que não param pra reparar quem tá perto, enquanto isso, uma outra parte quer falar, mas quando tomam coragem pra compartilhar seus sentimentos são tachadas de fracas, dramáticas, choronas, ou recebem receitas e soluções mágicas para resolver seus problemas, ou seja, a intenção de compartilhar seus sentimentos é inibida em vez de ser encorajada.

Ressalto que não estou falando só de gente que tem depressão ou quem está triste, mas, também, de gente apaixonada, de gente que tem medo de falar que ama, de gente que é espontânea, extrovertida, que rir alto, que gosta de se vestir diferente.

Então, cabe perguntar se há disposição, se dispomos tempo e espaço para perceber, ouvir a voz e acolher os sentimentos de quem “só tá querendo chamar atenção”.

Falar sobre nossos sentimentos e como as coisas do mundo nos afetam é muito importante, isso é algo que tem sido repetid...
08/09/2020

Falar sobre nossos sentimentos e como as coisas do mundo nos afetam é muito importante, isso é algo que tem sido repetido frequentemente, ainda mais nesse mês de campanha em prevenção do suicídio. Falar e expressar nossas angústias faz parte do processo de existir, a linguagem nos constitui e por meio dela é possível expressar tanta coisa que nos inquieta.

No entanto, com todo esse “falatório” de que é preciso dizer sobre o que sente, um outro problema se evidenciou. Com o advento da internet e mídias sociais apareceu muita gente falando, falando demais e falando sobre tudo, mas, será que estão sendo escutadas/os? O que se faz depois de as/os ouvir?

O problema é que tem tanta gente falando e tão pouca gente de ouvidos atentos.

Por vezes aquela amiga/o que não recusa o convite para festas ou sempre está em muitas festas, também pode ser um sinal de sofrimento. A gente tem que entender que nem sempre o sofrimento tem essa imagem da pessoa que se isola e chora no quarto sozinha por longos dias.

Os sinais de sofrimento serão diferentes para cada pessoa, nem sempre se encaixarão no DSM-V, mas é possível reconhecê-lo quando nos disponibilizamos para ouvir e acolher.

É importante falar em acolhimento, pois não sabemos o que é melhor ou a solução dos problemas da pessoa. Se você quer ajudar, mas não sabe como, pergunte como pode ajudá-la, do que precisa, dê espaço para que ela se sinta confortável em falar, e se não puder ajudar, incentive para que busque ajuda!

Viver dá um bocado de trabalho e a vida não é tão bela como dizem por aí, mesmo que insistam em dizer que devemos “olhar...
07/09/2020

Viver dá um bocado de trabalho e a vida não é tão bela como dizem por aí, mesmo que insistam em dizer que devemos “olhar a beleza da vida” ou que existe algum poder só em pensar positivo frente às circunstâncias da vida.

O que quero provocar é que Estar no mundo não é simples e nunca será, estamos sujeitos a dor, a tristeza, aos riscos, a consequências, e quando esse discurso de “positividade” chega aos nossos ouvidos, ela pode causar a falsa impressão de que não podemos estar tristes, angustiados, inseguros sobre algo ou alguém.

A nossa sociedade é mestre em regular os modos que o ser humano tem de se expressar, ditando formas em como demonstrar nossos afetos e como nos sentimos quando somos afetados pelo mundo, como se existisse uma forma adequada de nos expressar.

Isso também acontece com a arte e cultura. Quando alguém diz que quer ser escritor/a, cantor/a, pintor/a, cineasta, dançarina/o etc. E em geral, há uma reação muito desconfortável de desvalorização dessas profissões e de pessoas que ocupam esses espaços.

Chorar não é sinal de covardia, ser uma pessoa sensível e que demonstra o que sente também não é sinal de fraqueza, pelo contrário, é uma forma de demonstrar sua força e lidar com os acontecimentos da vida.

Quantas vezes você já se sentiu inibida/o por querer chorar ou falar sobre o que sente com receio do que as pessoas pensariam, ou com medo de ser rejeitada/o, ou porque alguém disse que você não deveria ser assim?

Viver é esse desconforto e por todos os lados somos confrontados por alguma coisa que nos incomoda no mundo.

É preciso se permitir sentir a tristeza, chorar, expressar nossos afetos, principalmente, quando algo nos incomoda, e se perguntar o que essa coisa que me causa tanto sofrimento tem a dizer sobre mim, por quais motivos essa ou aquela situação mexe comigo.

Quando não há espaço para a expressão ou transformação dos nossos afetos, o sofrimento pode se manifestar em forma de ansiedade, depressão, pânico ou se manifestar pelo corpo.

▪️A violência contra a mulher não acabou, assim como a campanha de conscientização Agosto Lilás não se encerra com o fim...
31/08/2020

▪️A violência contra a mulher não acabou, assim como a campanha de conscientização Agosto Lilás não se encerra com o fim do mês de agosto.

▪️Saliento aqui a importância de refletirmos sobre o lugar que a mulher e de tudo aquilo que representa o feminino em nossa sociedade ocupa, principalmente, nas teorias científicas ou correntes filosóficas.

▪️Mas saber sobre o espaço que a mulher ocupa materialmente e simbolicamente no mundo não é suficiente pra provocar a mudança necessária, ou criação de políticas públicas, ou leis, ou até mesmo o manejo clínico para lidar com as violências que meninas e mulheres, trans e travestis, são expostas todos os dias.

▪️O grande desafio é que ainda existem pessoas e instituições que reforçam discursos de violência direcionados ao feminino.

▪️Sei que para alcançar o engajamento social no combate à violência contra a mulher é importante que a sociedade desnaturalize a forma que seus corpos são tratados, desnaturalize os ideais de feminilidade e conscientize sobre a construção do seu lugar e desejo no mundo.

▪️Para isso é preciso mudar os discursos, é preciso falar, é preciso saber ouvir!

▪️Não há apenas uma maneira de ser mulher, somos diversas, cada uma em sua singularidade, com seus medos e desejos, portanto, somos livres pra nos inventar e reinventar no mundo sem que o discurso do Outro nos universalize e diga quem somos, o que queremos ou como devemos querer.

🔸Não esqueça🔸
▪️Denuncie a violência contra a mulher, a criança ou idoso! Denuncie!
Ligue para o 180!

Um poema pra ler devagarinho e pra pensar sobre aquilo que temos e que nos é INCOMENSURÁVEL, tão valioso, tão valoroso, ...
25/08/2020

Um poema pra ler devagarinho e pra pensar sobre aquilo que temos e que nos é INCOMENSURÁVEL, tão valioso, tão valoroso, mas que insistimos em procurar nas vitrines de um Outro que não cessa de inventar quereres.

XIII

Ávidos de ter, homens e mulheres
Caminham pelas ruas. As amigas sonâmbulas
Invadidas de um novo a mais querer
Se debruçam banais, sobre vitrines curvas.
Uma pergunta brusca
Enquanto tu caminhas pelas ruas. Te pergunto:
E a entranha?
De ti mesma, de um poder que te foi dado
Alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu
É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,
Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,
Tua aventura de ser, tão esquecida?
Por que não tentas esse poço de dentro
O incomensurável, um passeio veemente pela vida?

Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada
De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada.

__Hilda Hilst em "Júbilo, memória, noviciado da paixão"

Endereço

Espaço Algama/Hotel Atmosfera, Sala 606
Feira De Santana, BA
44076-200

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00

Telefone

+557591869439

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