16/04/2026
CREST-2: mudou o jogo na estenose carotídea assintomática?
Resultados recentes do CREST-2 trazem um dos dados mais aguardados da última década na doença carotídea.
O estudo, composto por dois ensaios randomizados paralelos, comparou terapia médica intensiva isolada vs. associada à revascularização (stent ou endarterectomia) em pacientes com estenose carotídea assintomática ≥70%.
📊 Principais achados:
• O stent carotídeo associado à terapia médica reduziu significativamente o risco de AVC em 4 anos (2,8% vs. 6,0%)
• A endarterectomia não mostrou benefício estatisticamente significativo sobre a terapia clínica isolada
• Risco anual de AVC ipsilateral caiu de ~1,7% para ~0,4% após stent
💡 Interpretação prática:
O CREST-2 reforça dois conceitos fundamentais:
1. A terapia médica moderna é altamente eficaz e deve ser base para todos
2. Quando bem indicado e com operador experiente, o stent carotídeo emerge como opção relevante, com impacto consistente na redução de AVC
Por outro lado, o benefício da cirurgia ficou menos evidente no cenário atual — possivelmente refletindo a evolução do tratamento clínico ao longo das últimas décadas.
💡 Na prática, a decisão não é binária. Ela passa por três pilares:
1. Paciente e família no centro da decisão
Expectativa de vida, perfil clínico e, principalmente, o alinhamento com os valores do paciente e seus familiares.
2. Anatomia importa — e muito
Complexidade da placa, arco aórtico, tortuosidade, calcificação… tudo isso pesa na escolha entre abordagem clínica, endarterectomia ou stent.
3. Experiência do serviço
Resultados locais, volume e expertise da equipe fazem diferença real em desfechos — especialmente quando falamos de intervenções carotídeas.