25/10/2025
Imagine um filme com três atos colocados de trás pra frente, começando pelo apocalipse.
É assim que A Vida de Chuck se inicia — dando um nó na nossa cabeça.
Provavelmente você vai terminar o primeiro ato com um grande ponto de interrogação, mas confia: a resposta virá aos poucos.
O filme narra a breve vida de Chuck, um homem comum e seus 39 anos bem vividos.
Entre memórias, escolhas e encontros, percebemos que o “mundo” que assistimos talvez seja apenas parte da sua consciência nos últimos instantes de vida.
É uma história sobre o extraordinário escondido no ordinário — sobre como os gestos simples, as presenças e as pequenas danças cotidianas são o que realmente constroem a vida.
Quando o fim se aproxima (ou quando pensamos nele), a clareza chega: o que importa nunca foram as grandes conquistas, mas o que foi vivido com verdade.
Também nos lembra de como nossa história de origem nos atravessa — as influências, as vozes e os afetos que moldam quem somos.
Chuck, que dançou por influência da avó e depois se tornou contador, assim como o avô, carrega na própria trajetória essa mistura de razão e sensibilidade, de herança e escolha.
Somos feitos disso: das nossas heranças e da coragem de criar algo novo a partir delas.
Com ótima trilha sonora e muita dança (aliás, a cena da dança na rua é um show à parte), o filme nos lembra que não há plateia fora de nós.
Somos o palco, o universo e a própria testemunha do que escolhemos viver.
E é aqui que a frase de Walt Whitman ecoa como um lembrete:
“Eu contenho multidões.”
Dentro de cada um de nós vivem tantas versões — as que fomos, as que tentamos ser, as que ainda estão por nascer.
Cada partícula de luz, cada memória, cada movimento — tudo pulsa dentro dessas multidões e universos que nos habitam.
Acredito que é um filme para ser visto mais de uma vez, já que são muitos detalhes que passam despercebidos no primeiro olhar.
Se você assistir de novo, vai perceber: o que parecia confuso no início é, na verdade, um convite à presença. Eu adorei. E você?