Meu Consultório de Psicologia - Psicóloga Joanna Carolina Martins

Meu Consultório de Psicologia - Psicóloga Joanna Carolina Martins Consultório de Psicologia

04/05/2024

Suporte on-line gratuito para vítimas de enchentes

A SBPdePA está comprometida em oferecer assistência essencial durante este período difícil. Por isso, disponibilizamos atendimento on-line e gratuito tanto para as vítimas das enchentes quanto para os bravos profissionais de resgate.

Se você foi afetado ou está ajudando no resgate, conte conosco para suporte.

25/12/2022
09/06/2022

A psicanalista Maria Cecília Pereira da Silva (SBPSP) foi a convidada do quadro “São Paulo que Inspira”, da Rádio CBN, onde falou sobre a Clínica Transcultural 0 a 5, que atende gratuitamente famílias de refugiados e migrantes com filhos pequenos no Centro Psicanalítico da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

Na entrevista, Maria Cecília frisou que as pessoas em situação de refúgio podem se inscrever ou serem encaminhadas por pessoas físicas, escolas que recebem os filhos destes refugiados e migrantes, bem como órgãos que os atendem.

“Oferecemos essa rede psicanalítica para trabalhar os traumas que acompanham todo o processo de refúgio”, explicou.

Ouça a entrevista completa em: https://m.cbn.globoradio.globo.com/media/audio/377591/psicanalistas-oferecem-atendimento-gratuito-famili.htm

Saiba mais sobre a Clínica Transcultural 0 a 5 em:
https://www.sbpsp.org.br/cursos-e-eventos/eventos/clinica-transcultural-0-a-5-172/ (Link na bio e nos destaques)

Imagem: Refugiados/imigrantes - Reprodução/Wikimedia Commons

O dia 23/4 é o dia mundial da saúde mental da Infância e Adolescência. Pensando em saúde mental de modo geral, escrevi o...
24/04/2022

O dia 23/4 é o dia mundial da saúde mental da Infância e Adolescência.

Pensando em saúde mental de modo geral, escrevi o texto abaixo.

O início de tudo

A estruturação do psiquismo acontece na relação com o outro e a maneira como esta transcorreu, no período arcaico do indivíduo, poderá moldar seu modo de ser, agir e estar no mundo, determinando sua saúde mental. O início da vida, é portanto, um período crucial, sendo de extrema importância os cuidados, acolhimento, afetos e o atendimento das necessidades físicas e emocionais do bebê. Porém, tanto no início da vida como ao longo desta, outras possibilidades de acolhimento emocional são possíveis. Acolhimento, acalento por meio de colo simbólico, palavras traduzindo experiências, vivências emocionais em ambiente capaz de conter angústias, apaziguar desconfortos, “suturar” buracos de possíveis falhas na função materna inicial. A partir de um tratamento psicológico, muito se pode fazer em benefício da saúde mental, amenizando dores e traumas, por vezes indizíveis. A forma como cada um lida com seu sofrimento ou o sofrimento do outro à sua frente, varia de acordo com cada um, com suas vivências na vida. Mas, cabe a todos permanecerem atentos, a si mesmo e ao outro, buscando apoio interpessoal e um tratamento psicoterápico e/ou medicamentoso, se necessário. Mesmo que muitas vezes, diante de situações extremamente difíceis, pareça não haver saída, e a dor esteja já “eterna”, a solução existe. Basta seguir em frente e contar com um outro; procurar tratamento, procurar um psicólogo, procurar um psiquiatra. Em algum momento da vida todos passamos ou passaremos por períodos difíceis, tristes ou sombrios de dor emocional. Viveremos diversas perdas e precisaremos compreender e viver os lutos resultantes destas. Dependendo de quais perdas existirem, o luto será maior ou menor. Mas a tristeza, com o tempo e elaboração dos sentimentos, acomoda, e a pessoa pode encontrar dentro de si novas formas para superar, novos recomeços e renascimentos.
As dores, com o tempo, o tratamento e o acolhimento, passam; e as alegrias chegam.

11/04/2022

Nos primeiros dias de abril, há 126 anos, nasceu Donald Winnicott, um dos psicanalistas mais influentes da Sociedade Britânica de Psicanálise. Winnicott foi um clínico brilhante, autor profícuo e um divulgador incansável do pensamento psicanalítico. O Presidente da Febrapsi, Hemerson Ari Mendes, o homenageia nesse breve texto poético, que nos convida a conhecer a história e o pensamento de Winnicott. Feliz aniversário, Dr. Winnicott.
Definitivamente, a primavera no hemisfério norte era a estação das melhores safras de pioneiros, Freud nasceu em maio e Melanie Klein no final de março. Em abril, Donald Winnicott.
Ele queria que a morte o encontra-se vivo; mas, ela lhe retribuiu a generosidade de sua vida: manteve-o vivo! Em um mundo no qual alguns se preocupam com efemeridade do poder, ser brindado pela sobrevivência da biografia pela biografia é um luxo.
Da pediatria a psicanálise, soube brincar, aceitou à inexorável “transicionalidade”; sabedor de que não escapamos dos falsos selfs (sim, do próprio; por mais que dos outros também), pôde se conectar mais profunda e amplamente com o verdadeiro. Entre as posições opostas (kleinianos versus anna freudianos), apostou no middle group, pois, para ele, era suficiente/possível ser apenas o suficientemente bom, dispensava idealizações.
Pelas ondas da BBC, por décadas, foi holding para pais leigos; ele já defendia a psicanálise implicada,
Foi com a compilação dessas palestras o meu primeiro contato com a psicanálise.

Grato, Dr. Winnicott.

Hemerson Ari Mendes
Presidente da Febrapsi

Pandemia Por Joanna Carolina MartinsTexto escrito no início da pandemia, porém ainda atual; especialmente quando assisti...
22/03/2022

Pandemia
Por Joanna Carolina Martins

Texto escrito no início da pandemia, porém ainda atual; especialmente quando assistimos as imagens terríveis dos bombardeios e de suas vítimas.

Neste período somos convocados a sentir e pensar o tempo todo. Angústias, medos, por vezes desespero nos assolam, dependendo de nossas vivências, passadas e/ou atuais. Cabe a nós, com ou sem auxílio, encontrarmos forças para vencer o medo e nos reinventarmos. É momento de cuidar, de criar, de não mexer e/ou apaziguar dores antigas. É momento de acolhimento. De encontrar soluções, de acomodar angústias, acalmar desesperos. É momento de espera. Momento de união, mesmo que por meio virtual, mesmo que em pensamento, mesmo somente em sentimento.
Nesse período precisamos cuidar de quem precisa e da gente mesmo. Acomodar nossos medos, angústias, dividir sentimentos, falar e ouvir, mesmo à distância. Proporcionar escuta, pensar juntos em soluções, ajudar a pensar. É momento de apoio. De diversas formas e de escuta, de todos os modos. Da gente mesmo e do outro. Não sabemos quem está doente, quem adoeceu ou adoecerá (física e emocionalmente) e quem não conseguirá resistir.
Nesse período temos que lidar com o imprevisto, ou previsto. Com o inesperado. Felizmente há as surpresas boas. Que aquecem o coração, permitem acreditarmos que tudo passará. “Entre mortos e feridos, salvaram-se todos”. Se lutarmos e fizermos nossa parte, essa frase impossível pode virar um pouco mais possível.
É necessário ter esperança. Assim eu penso.
Penso também que cada um de nós, ao usar a criatividade, ao refletir sobre de que forma pode ajudar o outro, além de manter-se em casa neste período, fornecerá grande ajuda. Cada pessoa na sua área, com sua especificidade, cada qual com o que sabe ou deseja fazer para ajudar. Cada pessoa possui uma forma de fornecer auxílio, dividindo conhecimentos, se tornando disponível, fornecendo modelos de soluções...
Como psicóloga, posso oferecer minha escrita, meus pensamentos, meus conhecimentos, acolhimento, minha escuta, meu atendimento (on-line).
Se a angústia, o medo, o desespero estiverem difíceis de serem apaziguados, converse com alguém e necessitando, procure um psicólogo. Será de grande importância e ajuda nesse momento.
Mas, acredite, essa situação difícil que todos estamos vivendo, irá passar. Não sei quando. Mas passará.

Joanna Carolina Ramalho e Oliveira Martins
CRP:12/02958

Instigada por um assunto de grande relevância, abordado em nosso Grupo de estudos nesta quinta-feira, bem como, motivada...
18/03/2022

Instigada por um assunto de grande relevância, abordado em nosso Grupo de estudos nesta quinta-feira, bem como, motivada a inspirar a colega que compartilhou com o grupo a sua angústia relativa a situações envolvendo mães e bebês de sua cidade, desejei divulgar conhecimentos por meio do pequeno e pontual texto abaixo.

Por que não se deve, em hipótese alguma, deixar os bebês chorando com o intuito de fazê-los aprender a dormir?

Por Joanna Carolina Oliveira Martins - Psicóloga CRP: 12I02958

Porque, não atender, de forma sistemática e proposital, um bebê em sua demanda, seja ela qual for, deixando-o imerso em choro e posterior desespero sem tentativas de resoluções de desconfortos e acolhimentos, deixará marcas importantes e moldantes no psiquismo do bebê, com consequências por vezes avassaladoras. Ao invés de ensiná-los a dormir sozinhos, pode, tão somente, “ensiná-los” a desistir. Sim, desistir. Desistir de existir (incluindo aqui toda a complexidade que se possa encontrar nesta palavra); desistir de tentar, desistir de esperar, de esperançar. Após repetições de não serem atendidos, poderão tornar-se desistentes, sem esperanças. Desistirão então, de si mesmos, do que se relaciona à vida; podem entrar em estado de “des-existir”. Terão aprendido que não podem contar com o outro, que o alívio não vem; deixam de chorar, de pedir, de desejar; se foi assim a esperança, se foi a tranquilidade interna, a confiança; se foi o conforto, a segurança. Assim acontece nos casos dos bebês que passam noites chorando até “aprenderem” a dormir a noite toda.
Ressalto de forma drástica o dramático vivenciado pelo bebê, com o objetivo de chamar a atenção para a relevância do tema. Ainda que cada bebê seja único e registre de maneira individual o que vivencia, sistemáticas situações difíceis ocorridas no início de sua vida, bem como em suas primeiras relações interpessoais, deixarão marcas inconscientes com repercussões, por vezes, desastrosas em suas vidas. Mesmo o bebê, possuindo capacidades próprias de desenvolvimento e competências para se relacionar com o outro, é demasiado danoso deixá-lo chorando sem ser atendido quando há a possibilidade dele ser atendido.
Neste caso de serem deixados chorando até cansarem, pelo fato de supostamente serem ensinados a dormir uma noite toda, reitero: são sim ensinados a dormir; sim, acontece realmente; aprendem a dormir, mas a dormir para a vida; dormem as possibilidades de vida intrínsecas ao bebê, existentes neles internamente, as que estavam à espera de desenvolvimento.
No início da vida os bebês encontram-se imersos em desamparo, em sensações desconhecidas, em dores, desconfortos que precisam ser aliviados, sanados para que ele se desenvolva. Os bebês nascem com a sensação de estar “em pedaços” e necessitam que um adulto “junte suas partes” através do ato de contê-lo amorosamente, segurando-o no colo. Necessitam da presença de um adulto que o atenda em suas demandas, de afeto, necessidade de acolhimento e cuidados corporais. Precisam do colo com o coração sossegado de sua mãe, de seu cuidador. De um colo amoroso, da voz suave e afetuosa que ecoa e o tranquilize; de conforto e cuidados; precisam de alguém que os sustente, física e emocionalmente, e esteja disponível psiquicamente, a fim de propiciar contorno e compreensão, de modo a integrar o que por eles foram experienciados. Os bebês necessitam ser acalentados e acolhidos por alguém capaz de decodif**ar suas sensações de desconforto, traduzir e amenizar suas vivências, promovendo uma sensação de continuidade da vida intrauterina. Por meio da relação com o outro ocorre a estruturação do psiquismo. É de grande importância dizer ao bebê o que está acontecendo, como por exemplo, dizer-lhe que a mamãe já vai, que o leite já vai chegar, que ele pode esperar uns minutinhos que já já será atendido, etc. Os bebês choram, se comunicam pelo choro e se acalmam com a fala tranquila que lhes é dirigida. Tudo bem o bebê chorar por desconfortos, espera, fome, mas desde que seu alento esteja vindo, e que sua chegada seja anunciada. Com o passar do tempo o bebê vai entendendo que o cuidado vem, porém acontece a partir da repetição deste cuidado, das falas, da tranquilidade experimentada.
Sendo assim, o bebê que é deixado sozinho, f**a à deriva, à mercê de si mesmo, das sensações aterrorizantes que o envolvem diante de dor, medo, solidão, angústias. É exposto cruelmente às suas angústias e terrores sem nome, interferindo em sua constituição psíquica, uma vez que não possui ainda recursos emocionais para se acalmar sozinho, tampouco aguardar tranquilo até adormecer.
Com relação a esta temática, no que se refere a uma mãe seguir instruções de outra pessoa acerca do que é melhor para seu filho e sua família, tal qual a instrução específ**a de deixar o bebê chorando para aprender a dormir sozinho, há inúmeras motivações, devendo ser entendidas e tratadas de modo individual.
Portanto, há o lado das mães (dos familiares do bebê), incluindo o bebê que a mãe foi, o bebê que cada um foi, se foram atendidos e como foram atendidos em suas demandas de amor, carinho, cuidados físicos e emocionais.
De todo modo, escolho pensar que os motivos das mães que atendem à tal cruel instrução de deixar seu bebê chorando, diz respeito ao desespero desta de sanar suas angústias, dificuldades, desesperos e solidão, unidos a impossibilidade (espero que pontual) de enxergar seu bebê, compreendê-lo, empatizar com ele, se solidarizar. Porém, prefiro também acreditar que os possíveis sentimentos das mães acima listados, os quais impulsionaram-na a tomar tal atitude cruel com o bebê, não o vendo como bebê, unem-se também ao desconhecimento e talvez falta de apropriação do seu papel de mãe, da função materna, de contenção, acolhimento, tão crucial, maravilhosa e ímpar para a vida do bebê, para a existência humana.

Foto encontrada na internet.

Re-atualizações  Inconscientes Joanna Carolina Ramalho e Oliveira MartinsInconsciente. Tanto se ouve falar. Mas, afinal,...
18/03/2022

Re-atualizações Inconscientes

Joanna Carolina Ramalho e Oliveira Martins

Inconsciente. Tanto se ouve falar. Mas, afinal, o que é exatamente esse inconsciente? O que é a re-atualização inconsciente que se encontra em textos de psicologia acerca das vivências maternas? Quando e como ocorrem?

As nossas vivências f**am registradas no inconsciente. De alguma forma o que foi vivido não se perde. O que experimentamos em nosso corpo, o que sentimos via nossos órgãos dos sentidos, desde a mais tenra idade, f**a armazenado em nós, em forma de registros, por vezes sutis.
O termo Inconsciente já fora utilizado por cientistas e filósofos e refere-se ao que não pertence ao consciente. Freud (1915) atribuiu ao termo um caráter psíquico, abrangendo "tudo que se passava no plano desconhecido da mente aos mistérios do corpo, da alma e do espírito." Diz respeito ao local onde encontra-se todo o conteúdo que fora reprimido, em função de algo ameaçador, ou traumático (ou seja, que excedeu a capacidade psíquica do indivíduo para dar conta), e, também, todo conteúdo que não fora sequer representado, isto é, que não possui nem possuiu signif**ado, não foi entendido, nomeado, percebido de forma consciente; tudo aquilo que apenas fora sentido e experimentado por meio de percepções e do sensório, mas que permaneceu sem ligação, sem compreensão.
No início da vida sentimos no corpo; através dele vivenciamos e absorvemos o mundo. Somos apresentados ao mundo por nosso(s) primeiro(s) cuidador(res). Passamos a adquirir conhecimentos e registros do que ocorre ao nosso redor, já desde o ventre materno. Não em forma concreta, tal qual é a realidade, mas a partir de nossas percepções, do que absorvemos dela. Portanto, nem sempre se trata de registros tal qual aconteceram, mas como foram percebidos, sentidos emocionalmente. Embora a percepção do bebê seja apurada, e ele possa captar o que ocorre a sua volta, não possui entendimentos para decifrar ou digerir o que absorve. Registra o que sente, o que percebe. Mas, necessita de seu cuidador efetuando a função materna de traduções, cuidados e acolhimentos.
Porém, desde muito cedo, o bebê é capaz de perceber a "atmosfera", os "climas" emocionais, as tensões ambientais, as intenções de cuidados, os medos, angústias e/ou satisfações. Estas percepções ocorrem por via sensorial e comunicações inconscientes, e os registros destas são armazenados sob a forma de traços mnêmicos (Freud), pictogramas (Lagner), permanecendo ocultos no inconsciente, sem necessariamente possuir representação. Traços mnêmicos referem-se ao registro puro, sem carga emocional, sem haver a ligação da sensação a uma representação. Está relacionado à forma como os estímulos se inscrevem na memória.
Um observador atento e disponível emocionalmente para se conectar com o bebê, com as emoções dele e suas próprias, pode descobrir que o bebê percebe o mundo e comunica desde sempre. Ele possui competências, e é "uma criatura inventiva criador de sentidos e de interação com os outros - através de gestos, de expressões faciais, às vezes pela voz, mesmo se ele ainda não fala a língua." Segundo Trevarten (2019), os bebês possuem motivações nas trocas comunicativas e aspiram a projetos com uma história, desde antes de nascerem. Eles "provocam" o seu interlocutor a continuar a fazer com ele um diálogo. Os bebês diversas vezes nos traduzem acerca do que ocorre com ele e com sua mãe, com seu cuidador. Nos fornecem sinais quando algo não vai bem, sendo capazes de buscar a conexão de sua mãe e, por vezes, por meio desta, fazê-la se conectar com ele e com a vida.
As situações vividas desde à época em que éramos bebês permanecem em nós. Podem passar muitos anos despercebidas e um dia serem acionadas em determinada situação, que por ventura conecte à sensação da vivência anterior armazenada. Isso comumente ocorre na maternidade/paternidade, mas também pode acontecer em diversos momentos ao longo da vida, especialmente naqueles em que nos encontramos mais regredidos emocionalmente, como por exemplo: quando passamos por cirurgia ou nos encontramos enfermos; quando estamos passando por adversidades na vida; quando estamos diante de novos desafios ou mudanças relativas ao ciclo vital; quando nos sentimos de algum modo ameaçados em nossa integridade emocional ou em lugares externos e relacionamentos interpessoais; quando um novo membro chega na família, ou quando se perde um ente querido, etc.
O inconsciente é atemporal. Famosa afirmação psicanalítica, extremamente atual e verdadeira, é bem conhecida dos analistas e psicólogos que atuam com base nesta teoria e explica porque algo que fora vivido, por exemplo, nos primórdios de nossa existência, pode ser sentido como sendo atual e concreto, vivido intensamente quando reatualizado por situações no tempo presente, mesmo "não fazendo sentido" no que se refere às vivências do atual tempo.
Durante a maternidade/paternidade, e de forma bastante visível no início desta, existem momentos em que emoções difíceis ou desconhecidas irrompem de forma extrema ou demasiada, sem fazer um "sentido" com a realidade. Mas, mesmo não fazendo "um sentido", possuem sentido, e a emoção é experimentada de forma intensa, real e atual, devendo portanto ser olhada, respeitada e cuidada. Muitas mães, por exemplo, já se perceberam tristes, ou com sentimentos de raiva, de desamparo ou de impotência extremos, e sem relação condizente com o momento ou a realidade que estão vivendo. Estes sentimentos podem estar relacionados com outros acionados, a partir de algo que fez um link com situações já vividas, mesmo as que não tiveram representação no psiquismo.
Para exemplif**ar, menciono a situação de quando um luto é re-atualizado. A perda vivida pode ter acontecido há muito tempo, mas quando uma outra perda ou situação aciona as lembranças armazenadas da perda anterior, esta vem à tona no momento presente, com a intensidade de dor do momento acontecido, precisando de palavras e vivências que a esclareçam, e tempo para viver o luto acionado. Uma mãe, por exemplo, ao lidar com a separação de seu filho quando este sai de casa para ter sua independência e viver sua vida adulta, encontra-se extremamente mobilizada e entristecida, em luto profundo por esta perda, como se nunca mais fosse vê-lo. A mudança em si necessita de um luto, mas a sensação de perda está potencializada: sua dor imensa diz respeito, na verdade, a uma separação definitiva por morte que precisou enfrentar em momento anterior de sua vida, cujo luto não pode ser feito. Porém, a dor, mesmo sendo sentida em outro tempo, é relevante, devendo ser respeitada e vivida para ser elaborada, a fim de possibilitar, assim, a continuidade do aproveitamento de momentos bons na vida.
Durante toda a vida esses “links” podem ocorrer e necessitam ser desvendados a fim de que não prejudiquem tanto o desenrolar desta. Jamais serão totalmente evitáveis, mas podem ser compreendidos e passarem a ser sentidos de acordo com a realidade atual (e não a re-atualizada), por meio de uma psicoterapia.
Uma psicoterapia de base analítica fornece auxílio no desvendar desses sentimentos re-atualizados e no desenrolar da vida, possibilitando o viver com menos sofrimentos e de forma mais promissora.

Referência Bibliográf**a

AULAGNIER, P. C. (2001). Lá violência de lá interpretacion: dela pictogramas al enunciado. Buenos Aires: Amorrortu.
FREUD, S. (1914/1916). Introdução ao narcisismo: ensaios de metapsicologia e outros trabalhos O inconsciente (1915). In: Obras Completas, 2010, v.XXII, São Paulo: Editora Companhia das letras.
TREVARTHEN, C., AITKEN, K & GRATIER, M. (2019). O bebê nosso professor. São Paulo: Instituto Language.
ZIMERMAN, D. E. Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise. (2001). São Paulo: Artmed.

Foto encontrada na internet.

“Sentir o coração desnudo, tantos sentimentos à mostra, um monte de ilusões e apegos sendo dissolvidos, uma reviravolta ...
03/03/2022

“Sentir o coração desnudo, tantos sentimentos à mostra, um monte de ilusões e apegos sendo dissolvidos, uma reviravolta imensa, e não contar mais com o que se desfez, nem ainda com o que está sendo tecido é mesmo assustador. Não há como retornar ao que já não existe nem como adiantar o relógio para se chegar rapidamente ao que ainda não é. Experimentar na própria alma a força terna e tecelã da vida, ao mesmo tempo em que nos sentimos tão frágeis, é um desafio que requer paciência, toda gentileza e muita fé. As novas flores já moram nos brotos, mas ainda não desabrocharam. A chuva de renovação está dentro das nuvens, mas elas ainda não verteram. A borboleta já voa na crisálida, mas ela ainda nem se deu conta direito da novidade de ter asas.” Ana Jácomo

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