12/12/2025
E 35 anos se passaram desde esta foto…
Sapeca, risonha, com essa covinha profunda que nunca me deixou esconder quem eu era, sempre fui atrás do meu lugar no mundo.
Quem me vê hoje nem imagina que eu não tive berço, que a abundância não fez parte do meu começo — mas escola, exigência e linha dura sempre fizeram.
Meu pai me buscava num fusca branco, numa das melhores escolas de São Paulo, e eu tinha que engolir em seco qualquer vergonha ou sensação de não pertencimento.
Mal sabia eu que aquilo era a minha forja.
Nunca tive receio de limpar um banheiro, de servir aos outros — um dos meus trabalhos na adolescência foi ser garçonete, e eu adorava.
E sigo assim até hoje: servindo quem precisa, sem dó, mas com a confiança profunda de que todo mundo carrega dentro de si a força necessária para superar os próprios desafios.
Quanto perrengue… e quanta glória.
Linfoma de Hodgkin, separações, sociedade quebrando, ansiedades, uma medicina diferente de tudo (porque, claro, eu tinha que inventar um jeito único de trabalhar!).
Tenho um orgulho imenso da minha história — e da criança que vive em mim, que de vez em quando aparece leve, despreocupada e feliz.
No fim, não existe só esforço ou só glória.
Existe o esforço que nos torna dignos da glória.