22/01/2026
Quando alguém carrega uma imagem simbólica — de calma, consciência, espiritualidade, e de repente, sob pressão, aparece o oposto disso.
Mas talvez o desconforto não esteja no caos em si.
Talvez esteja na expectativa irreal que criamos sobre o que é praticar yoga.
Yoga não é ausência de conflito.
Yoga não é não se desorganizar.
Yoga não é saber lidar com tudo o tempo todo.
É muito comum pessoas que no meio do caos, não sabem acessar um lugar interno de calma e presença.
E isso não define quem ela é.
Define um recorte de um processo interno da qual ainda não está suficientemente maduro, processado ou curado.
Cada caminho é único.
Cada história interna é única. E nenhuma imagem simbólica dá conta da complexidade de um ser humano.
O que mais me tocou não foi o caos que apareceu.
Mas o julgamento causado pela internet da imagem ZEN associada a perfeição.
Quem vive o yoga sabe que a filosofia nos convida ao não julgamento. Principalmente quando o cenário é moldado para gerar conflito, exposição e reação.
O yoga não nos pede perfeição.
Ele nos ensina a observar.
Observar quando perdemos o centro.
Observar quando reagimos.
Observar quando o ego assume o comando.
E, a partir disso, retornar.
Na filosofia do yoga, isso se chama abhyasa e vairagya:
prática constante e não apego ao ideal.
Praticar não é sustentar a imagem de “zen”.
É reconhecer o caos quando ele surge — sem se identificar totalmente com ele, sem condenar, sem negar, sem REagir e sim Agir com consciência. Quando nos afastamos, não nos identificamos, e assim conseguimos lidar melhor com o “caos”.
O yoga nos permite lembrar que:
não somos nossas reações,
não somos nossos piores momentos,
não somos a imagem que projetam sobre nós.
Somos seres em constante processos.
E o yoga não só nos ajuda a reconhecer esse SER, como também nos permite voltar ao centro, menos idealização,
menos julgamento, mais presença — inclusive quando o caos aparece.
Porque é aí que a prática começa de verdade.🧘🏽♀️