08/11/2025
Quinze anos dentro de um mesmo intervalo de paredes.
Nenhum dia coube do mesmo jeito em mim.
À primeira vista, tudo tão em ordem. Mas os lugares de escuta guardam suas verdades escondidas. O pedaço de parede mofado por tanto tempo, como se fizesse parte de um pacto silencioso entre mim e o lugar. A cortina, com a barra solta de um lado - uma falha discreta, dessas que só eu via e deixei ficar.
Coisas que só eu sei…
Levo tantos atravessamentos: presenças, movimentos, ruídos cotidianos, o som do sino. Coisas que não se penduram na parede e não se encaixam em caixa.
E levo, sobretudo, o modo como aprendi a escutar. Isso não se empacota; isso segue mudando junto comigo.
É uma despedida, sim, mas daquelas que continuam enquanto a gente anda.