25/10/2025
“Doutora… eu não sinto nada. Só fiquei com duas pessoas na vida. Não uso dr**as nem bebo alcool. Como pode ter dado positivo?”
A frase saiu baixa. Ele tinha 21 anos. As mãos tremiam , era vergonha, medo e incredulidade tudo junto.
Ao lado, o namorado apertou sua mão e disse com a voz mais tranquila do mundo:
— Vai f**ar tudo bem.
Eles estavam há três meses se conhecendo. Uma semana de namoro oficial. E veio o convite mais responsável que alguém pode fazer numa relação:
— Amor, vamos nos testar?
— Você tem HIV?Vc me traiu?
— Não. Faço PrEP. Mas acho importante a gente se cuidar juntos.
O teste foi feito ali mesmo, com um autoteste.
E então… o diagnóstico.
Depois de conversarmos sobre tratamento, sobre o que signif**a viver com HIV hoje, sobre f**ar indetectável e intransmissível, os ombros dele finalmente relaxaram.
Ele respirou fundo, olhou para o namorado e disse, chorando de alívio:
— Meu amor… ainda bem que eu não te causei nada. Ainda bem que teu teste deu negativo.
E o namorado respondeu do jeito mais bonito possível:
— A gente se cuida. Juntos. 💜
Porque essa história importa?
Porque HIV não tem cara, corpo, número de parceiros ou “perfil de risco”.
Porque fazer o teste é um gesto de amor, de responsabilidade e de cuidado mútuo.
Falar sobre prevenção, status sorológico, PrEP e testagem fortalece a relação ,não o contrário como muitos pensam .
Quando existe diálogo, existe proteção.
Quando existe apoio, existe alívio.
Quando existe acesso ao tratamento, existe VIDA.
Sara Veras
Infectologista
Crm 17548
Rqe 11717