21/06/2022
A psicanálise oferece uma relação distinta com o tempo.
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Alguns a procuram buscando exatamente isso (tempo) diante da aceleração dos dias atuais, ainda que não percebam logo de cara.
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Outros por não terem obtido “resultados” satisfatórios com outras linhas teóricas ou tratamentos.
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Ou chegam sequer sem saber que é a psicanálise ou melhor dizendo as psicanálises (são várias as linhas e escolas aqui também).
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Só que aí xs analisanxs aprendem no caminho o “escutar a si” diante da “angústia de saber” em relação ao que precisam fazer, mudar ou saber do desejo do Outro para conhecerem mais de si e consequentemente “lidarem” com seus os sofrimentos.
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Só que no “vazio” mais ligado à castração necessita-se de mais mobilização pela via da “aposta”, de novos arranjos signif**antes e até novos sentidos (luto).
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Enquanto que no “nada” o tempo é outro e o encontro com o Outro é adiado, não existindo aposta porque nem se tenta algo (melancolia). O encontro aqui com o objeto a é direto.
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“(…) a menos que distingamos o objeto a de i(a), não poderemos conceber a diferença radical existente entre melancolia e luto” (LACAN, 1972-1963; 2005, p. 364).
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Entretanto cabe aqui um diagnóstico diferencial porque “nada” é diferente de “ser o próprio nada”. Sendo a articulação com os signif**antes valiosa no caso a caso.
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Referência: LACAN, Jacques. (1962-1963) O Seminário – livro 8: A transferência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.
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KEHL, Maria Rita. O tempo e o cão: a atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo, 2009.
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Vivianne Moraes Lopes Parente
Psicanalista e Psicóloga CRP 11/16493