30/03/2026
A invalidação do sofrimento psicológico acontece quando a dor do outro é minimizada, questionada ou ignorada — muitas vezes com frases como “isso é frescura”, “tem gente pior” ou “é só pensar positivo”. Esse tipo de resposta não acolhe, não ajuda e ainda pode aumentar o sentimento de solidão e incompreensão.
Sofrimento emocional — e também físico — não precisa ser visível para ser real. Ele merece escuta, respeito e cuidado. Validar não é concordar com tudo, mas reconhecer que aquilo que o outro sente faz sentido dentro da história dele.
E isso não acontece só com transtornos mentais. Quem vive com endometriose, por exemplo, também escuta que é “só cólica”, que “é normal ser mulher e sentir dor” ou que “não deve ser tudo isso”. Assim como pessoas com ansiedade ou depressão ouvem que é “falta de força de vontade” ou “exagero”. Em ambos os casos, a dor é real — mas frequentemente desacreditada.
E o impacto disso é profundo: a pessoa começa a duvidar de si, a se calar, a adiar cuidados importantes… a se afastar de si mesma.
Por isso, às vezes, mesmo sem essa validação externa, a gente precisa se posicionar. Eu decidi seguir com a cirurgia de endometriose mesmo sem validarem a minha dor. Não foi sobre convencer o outro, foi sobre me escutar.
Porque, apesar da invalidação dos outros, a nossa dor continua existindo — e merece cuidado. E se validar, muitas vezes, é o primeiro passo para conseguir prosseguir.