03/05/2026
Tem lutos que não “passam”.
Eles aprendem a morar dentro da gente.
Perder uma mãe aos 13 anos não é apenas perder uma pessoa. É perder colo, direção, segurança, referência emocional em uma fase em que ainda estamos aprendendo quem somos. E mesmo aos 55 anos, o coração ainda sente. Ainda dói. Ainda existe uma saudade imensa em datas como o Dia das Mães, nos cheiros, nas músicas, nas lembranças simples da vida.
E isso não signif**a fraqueza.
Signif**a vínculo.
Signif**a amor.
Muitas crianças que perdem suas mães precocemente crescem ouvindo frases como:
“Você precisa ser forte.”
“Já faz muito tempo.”
“Você tem que seguir em frente.”
Mas o luto infantil não desaparece porque o tempo passou. Muitas vezes, ele apenas se silencia para sobreviver.
Por isso, deixo uma reflexão para familiares, escolas, amigos e profissionais da saúde mental:
Uma criança enlutada precisa de presença emocional.
Precisa ser escutada sem pressa.
Precisa ter permissão para sentir saudade sem culpa.
Precisa entender que não está “exagerando” ao chorar anos depois.
E para nós, psicólogos, f**a o olhar sensível:
nem todo adulto que parece funcional elaborou sua dor. Muitas vezes existe uma criança emocional ainda esperando acolhimento, validação e espaço para viver um luto que foi interrompido pela necessidade de amadurecer cedo demais.
Ser rede de apoio é não minimizar a ausência.
É lembrar da mãe sem medo de tocar na dor.
É entender que datas afetivas podem reabrir feridas antigas.
É acolher sem tentar apressar a cura.
Porque algumas saudades nunca acabam.
E tudo bem.
O amor também não.
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