29/09/2019
Sêneca tem sido um dos filósofos que mais tem acrescentado à minha vida ultimamente. Em relação aos meus estudos (pessoais) sobre estoicismo, esse estóico em particular se destaca.
Um dos motivos pelo qual Sêneca tem ocupado bastante meus momentos de reflexão deve-se ao fato de que o filósofo acredita que a filosofia em si deveria ter uma finalidade prática, e por isso, ela deveria ensinar às pessoas como viver melhor.
Em "Sobre a Ira / Sobra a tranquilidade da Alma", vemos dois ensaios que guardam alguma semelhança (por isso ambos ocupam o mesmo tomo). Sêneca discorre sobre a natureza da Ira, sobre se existe ou não uma vantagem em preservá-la ou não e como fazer para não nos submetermos a ela. No segundo ensaio, responde uma carta de seu amigo Sereno sobre o que deve ser feito para que ele consiga preservar paz na sua vida.
A discussão é ampla e a leitura muito fluída. Um dos pontos que me chamou bastante atenção foi a sua discordância com Aristóteles (que acredita que a Ira tem um papel positivo na vida se bem gerenciada). Sêneca vê a ira como um vício (não uma virtude) e defende que não devemos admitir os vícios porque em algum momento ele nos trouxe algum ganho ou vantagem:
"Abominável é o tipo de remédio em que a saúde se deva a uma doença. De modo semelhante, a ira, mesmo se às vezes, tal como um veneno, uma queda ou um naufrágio, tenha se mostrado inesperadamente útil, nem por isso deve ser considerada benéfica. Certamente, o que é nocivo serviu muitas vezes como algo salutar".
Esse livro rapidamente se tornou, das que considero, uma das "leituras obrigatórias" para a vida.