17/05/2018
Dia 17 de maio é o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, que inclui a homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia. O dia foi escolhido pois há 28 anos, nesse dia, a OMS retirou a "homossexualidade" da Classificação Internacional de Doenças.
Reconhecer a orientação sexual homossexual como um processo de vivência da sexualidade saudável (e não uma doença) foi um grande avanço, mas ainda há lutas pela frente, principalmente no que se refere às pessoas transgeneras (a OMS fez uma reclassificação de transtorno de identidade de gênero para incongruência de gênero no próximo CID 11, enfraquecendo a patologização da identidade trans, mas não a eliminando).
Os psicólogos precisam atender à demanda de sofrimento dessas pessoas nos mais diversos espaços de acolhimento e o Conselho Federal de Psicologia, olhando para essa problemática, criou a Resolução n° 001/1999 que dispõe de normas sobre o atendimento a esse público. Um dos principais destaques dessa publicação é o estabelecimento de um compromisso do psicólogo em contribuir para reflexões que superem o preconceito e a discriminação contra essas pessoas.
Apenas tornar o problema visível não é suficiente. São necessárias mudanças nas relações e, para isso, é preciso que o o problema seja conhecido por inteiro. Isso significa ter acesso às consequências reais que a homofobia produz nas vítimas. Em decorrência de agressões físicas e/ou verbais sofridas diariamente as pessoas podem se sentir impedidas de manifestar qualquer tipo de afeto em público e, por vezes, até de de circular em público próximo a pessoas do mesmo s**o. Dessa forma, apenas pensar nessas possibilidades pode gerar sensações parecidas com o terror vivenciado no momento da agressão.
Além das próprias experiências, muitas pessoas acabam também ficando sob controle das experiências de amigos e companheiros que, semelhantemente, foram vítimas de violência homofóbica em algum momento. Com uma constância inegável de fatos como esses, cada uma dessas pessoas vai buscar o possível para se proteger, chegando a se privar de sua própria rotina. “A vítima de uma violência pode não mais ir ao local onde a agressão ocorreu, ou pode ser punido, cessando o comportamento que estaria emitindo na presença do agressor ou de pessoas com características semelhantes e, em alguns casos, o indivíduo pode não mais sair de casa, isolando-se socialmente, parando, inclusive, de trabalhar.” (Fazzano&Gallo, 2015).
Por essa ainda ser uma realidade em nosso país e no restante do mundo é que a luta contra a LGBTfobia precisa ser uma constante. Por mais luta e por mais vitórias.
Texto Colaborativo pelas psicólogas:
Gabriela Jucá (.gabrielajuca)
Gabriela Dutra ()