31/01/2026
Na psicoterapia, a raiva pede mais do que liberação ou contenção.
Gabor Maté nos ajuda a compreender que tanto a repressão quanto a expressão desorganizada da raiva podem funcionar como defesas. Em muitos casos, silenciar esse afeto foi uma estratégia precoce de sobrevivência, uma forma de preservar vínculos, evitar abandono ou garantir segurança emocional.
O problema não está na adaptação inicial, mas na cristalização dessa estratégia ao longo da vida. Quando a raiva saudável não pôde se desenvolver, o sujeito tende a se adaptar excessivamente, ultrapassar seus próprios limites e colocar as necessidades do outro acima das suas.
Para Maté, a raiva é uma força essencial de estabelecimento de limites.
Não é a raiva que adoece, mas frequentemente a sua ausência.
O manejo clínico da raiva não está em estimular descarga nem em reforçar controle, mas em ajudá-la a recuperar sua função protetiva. Quando reconhecida, simbolizada e integrada, a raiva se transforma em um recurso de autorregulação — e o corpo já não precisa adoecer para dizer “não”.
📖 *Gabor Maté — Quando o corpo diz não*