02/12/2025
A vontade de desistir costuma ser vista como fraqueza, mas está longe de se restringir a esse rótulo apressado.
Ela emerge, muitas vezes, como um ponto de ruptura: o instante em que o sujeito toca seus limites e se vê diante da própria exaustão emocional.
É um esgotamento que se insinua quando a vida começa a orbitar excessivamente em torno das demandas do outro, das próprias, da família, trabalho, estudos, afetos.
Quando o excesso se instala no modo de existir: trabalhar demais, pensar demais, cuidar demais, agradar demais, suportar demais.
No entanto, isso pode acontecer de maneira inconsciente, e só ser visível quando a situação está crítica.
E é neste gesto silencioso de “não dou conta”, que habita um convite para uma revisão das identificações que nos moldam, das expectativas que nos atravessam, dos limites que ignoramos e do lugar que fomos ocupando/suportando, sem perceber.
A vontade de desistir, assim, pode ser menos um colapso e mais um modo de dizer “não” quando o corpo e a alma já disseram “basta”.
Parar não é abandonar a vida, mas suspender o “modo-automático” que nos captura.
É a pausa necessária, que antecede qualquer possibilidade de reencontro consigo, de reorganização psíquica, e da vida.
Neste momento, a análise, pode auxiliar entender a fundo o que está acontecendo, e explorar maneiras de interromper o giro repetitivo, para que outra posição subjetiva possa surgir.
Mudanças, que vão de encontro a uma rotina menos guiada pelo excesso e pelo automatismo, e mais alinhada ao desejo e que também faça sentido, respeitando corpo e mente.
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