19/07/2021
Se você tem com frequência dores no joelho, então presta atenção neste texto. Você pode ter Síndrome Femoropatelar.
“Quando fico muito tempo sentado com o joelho flexionado, sinto necessidade de esticá-lo.” “Preciso colocar uma almofada entre os joelhos para dormir bem.” “Parece que tem areia no joelho, toda vez que eu o movimento.” “Meu joelho dói quando eu desço escada, mas para subir não.” Alguma dessas frases é familiar pra você? Elas são típicas de pessoas com Síndrome Femoropatelar (SFP).
Ela acomete cerca de 25% dos corredores, com mais frequência entre as mulheres. Essa condição que envolve a articulação formada entre o fêmur e a patela, apesar de muito comum, é de difícil diagnóstico e tratamento, principalmente pela complexidade das estruturas que a compõe e pela grande variedade de causas. Aliás, o próprio nome “síndrome” – um conjunto de sinais e sintomas que define as manifestações clínicas – ajuda a definir a dificuldade do assunto.
Embora não tenha uma etiologia exata, as principais causas da SFP estão relacionadas aos fatores anatômicos e biomecânicos de cada indivíduo, com destaque para os seguintes fatores anatômicos: os que apresentam alterações no eixo da patela com desvios excessivos, tanto para a região lateral ou medial; quando estão posicionadas de forma muito alta ou baixa (também chamadas de patela alta ou baixa); os desvios angulares do joelho (geno varo ou valgo) e quando existe desvio rotacional, interno ou externo. Mesmo com essas características, não significa que o corredor apresentará dor, mas é o grupo mais sujeito a desenvolver a SFP.
Já os fatores biomecânicos são mais conhecidos: tipo de piso, tipo de pisada, pista inclinada, calçado inadequado, treinos excessivos com pouco tempo de repouso, mudança brusca de treino com grande aumento de volume, fraqueza muscular e perda de flexibilidade, principalmente do músculo quadríceps, entre outros.
Fatores isolados, tanto anatômicos como biomecânicos, não são tão prejudiciais. O problema ocorre quando existe a associação entre eles, que pode potencializar a origem da SFP. Como a flexão do joelho aumenta a pressão entre a patela e seus vários pontos de contato com o fêmur, se essa “engrenagem” não estiver no perfeito funcionamento, gera um desgaste excessivo do joelho, podendo estar aí a grande explicação da origem do desequilíbrio entre o fêmur e a patela, desencadeando o efeito.
Se o simples ato de ficar sentado por muito tempo se tornar doloroso e você sentir a necessidade de ter que levantar para esticar o joelho para aliviar esse sintoma, conhecido como o “sinal do cinema” (devido à pressão extra sobre o fêmur durante a flexão do joelho), pode ser que você já esteja com o inicio da SFP. Geralmente, é uma dor que começa de forma lenta, porém progressiva. Caso isso ocorra, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes, que por felicidade, se realizado de maneira precoce, apresenta boa taxa de sucesso.
O tratamento deverá ser individual, com base no exame físico, na busca do reequilíbrio da articulação do joelho e usualmente consiste em gelo, especialmente após a atividade, uso de medicamento (sempre com a recomendação médica), fisioterapia para corrigir as possíveis causas biomecânicas e assim diminuir o possível desequilíbrio e, por fim, o ajuste do treinamento com exercícios específicos para fortalecimento e alongamento, além da organização da planilha de treino.
Em situações mais avançadas, é possível a utilização de outros métodos, como mudança do tênis, utilização de palmilhas e até bandagens no joelho. Cirurgias são mais raras e somente em casos extremos, com lesões bem definidas e estabelecidas. Vale reforçar que, como a SFP tem um caráter progressivo, se a causa não for removida ou ajustada de maneira precoce, o tratamento poderá não ter o sucesso desejado. Quanto mais cedo for iniciado, melhores serão os resultados.
Para isso, o esportista deve estar atendo aos sintomas da SFP. Dor no joelho persistente durante ou após o treino ou durante o sono, “sinal do cinema””, desconforto para subir ou descer (principalmente descer) escadas ou em qualquer outra situação diferente do cotidiano merecem atenção e orientação médica. Notem que a dor pode ser uma grande aliada para evitar o problema futuro. A prevenção é a melhor e a mais eficiente maneira de se tratar qualquer problema no joelho, especialmente a SFP. Com uma boa dose de paciência, o resultado sempre será satisfatório.