11/01/2026
“Ficou muito ruim, faz de novo.”
Recém-formada, no primeiro ano de residência médica, colhi a história de uma criança que havia acabado de ser internada no setor e apresentei a chefe.
Recebi a resposta acima. Estava ruim, precisava melhorar. Mas como, se eu sequer sabia o que estava errado?
Peguei outra folha de papel, refiz a história, apresentei novamente: “continua ruim”, ouvi, enquanto a ficha era anexada no prontuário.
Acreditei que era o fim da minha carreira que mal havia começado. Como uma médica não conseguia fazer algo tão simples? Tive medo.
Passei a buscar outros médicos da equipe para tirar minhas dúvidas enquanto torcia para a rodada naquele setor acabar o mais rápido possível.
Feedback precisa ser específico, e acompanhado de uma instrução e suporte para melhora, senão não serve para nada, além de rebaixar a autoestima. E se eu, com 23 anos me senti assim, imagina o impacto que isso não traz numa criança?
“Você só se comporta mal!”
“Você é muito desobediente!”
“Você não tem jeito mesmo!”
“Quando você tiver um filho e ele for igual a você, verá como eu sofro!”
A criança se sente mal, sem fazer ideia de como melhorar. Ou ainda, sem ter maturidade cerebral para fazer diferente. Então usa as armas que tem, mente, se esconde. Chega na adolescência e se abre com os colegas, mas não consegue conversar com os pais.
Seja específico. “Não pode rabiscar as paredes, lugar de desenhar é no papel.”
Acolha e de instruções. “Eu entendo que você ficou com raiva, mas você não pode bater no seu colega por causa disso. Da próxima vez que se sentir assim, respire fundo ou se afaste até conseguir se acalmar.”
Dê limites, na mesma medida que dá colo.
Permita que ele lide com as consciência dos seus atos, mas também demonstre que independente do erro que ele cometer você sempre estará lá.
A mudança que queremos ver nos nossos filhos começa na gente!