Gutembergue Oliveira

Gutembergue Oliveira Médico paliativista e intensivista, inspiro com histórias da UTI sobre viver plenamente. Viva intensamente; cada momento importa.

Aprendi com a perda dos meus avós que a morte nos lembra de valorizar cada dia. 🥼Trabalho com à morte e te ensino a valorizar a vida. Clique no link e conheça nosso canal👇
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31/01/2026

Às vezes, o milagre não é a cura.
É a fé que não se explica.

É uma mãe olhando para o abismo e dizendo, com uma tranquilidade que desafia toda a lógica: "A minha filha não vai morrer." ✨

A medicina, em sua grandeza técnica, chegou a um limite.

Os pulmões colapsados, os rins sem função, o corpo inchado de ar e de toxinas.
Tudo apontava para um desfecho inevitável.
A equipe fez tudo, mas a resposta não vinha. Era a definição de um caso que "não anda".

E então, surge essa afirmação silenciosa e poderosa.
Não era negação da realidade. Era algo mais profundo: uma certeza que vinha de um lugar que os exames não acessam.
Uma fé que se alimenta do amor mais puro, aquele que não desiste mesmo quando todas as portas biológicas parecem fechadas.

Essa história nos questiona: onde mora a força que sustenta a vida?

Nos parâmetros do monitor ou no fio invisível que ancora uma alma ao mundo através do amor de quem acredita nela?

A medicina lida com probabilidades, mas o espírito humano lida com possibilidades que, por vezes, transcendem a estatística.

Não sabemos o desfecho.

Mas sabemos que, naquela UTI, duas realidades se enfrentaram: a da fisiologia em colapso e a da fé inabalável.

E isso nos lembra que, no cuidado, não lutamos apenas contra a morte.

Lutamos, sobretudo, para honrar a força da vida – mesmo quando ela se expressa no simples e tremendo ato de acreditar.

O que sustenta a sua esperança quando todas as evidências dizem "não"?

30/01/2026

Os milagres, às vezes, chegam sem auréola.
Chegam com a pele suja da rua, os dedos marcados pelo vício e um amor que persiste no meio do caos. ✨

Esta história fala de uma jovem de 21 anos, moradora de rua, usuária de crack, com os pulmões 80% comprometidos por uma pneumonia atípica e grave.

Um quadro que só se vê em imunidade devastada.
O diagnóstico silencioso por trás de tudo: HIV/AIDS não descoberto, não tratado.
A medicina ali fez sua parte técnica, mas o verdadeiro milagre foi humano.

Porque naquela UTI se encontraram dois amores: o da mãe, que há meses não via a filha, mas que correu para o plano de saúde que mantinha por ela.

E o do namorado, também usuário, também à margem, mas que a amava “demais”, com um amor genuíno.
Dois lados de uma mesma moeda de cuidado, separados pelo juízo, unidos pela crise.

O “milagre” não foi apenas o diagnóstico que salvou uma vida física.
Foi a oportunidade – brutal e preciosa – de resgate.

De que, no fundo do poço, ainda há fios de conexão que não se romperam: um vínculo de plano de saúde, um laço de amor.
São essas cordas frágeis que a medicina, com sorte e escuta, pode usar para puxar alguém de volta.

Essa história nos pergunta: quantas pessoas à nossa volta carregam doenças invisíveis não do corpo, mas da alma e da sociedade?

E quantas chances de “milagre” – de reconexão, de cuidado, de novo começo – nós perdemos porque a embalagem da dor não é aquela que sabemos acolher?

Às vezes, salvar uma vida é menos sobre o antibiótico perfeito e mais sobre enxergar, na pessoa por trás do caso, os fios de humanidade que ainda podem ser costurados. 🩹

28/01/2026

Aceitar a morte pode ser impossível.

Principalmente quando ela vem vestida de injustiça, negligência ou puro acaso.
O coração se fecha, a revolta é combustível, e a palavra "aceitação" soa como uma traição à dor. 💔

Mas talvez o caminho não seja aceitar, e sim entender.

Entender que vivemos em um mundo frágil, onde a casualidade e a falha humana são partes cruéis da existência.

Isso não justif**a o erro, nem aplaca a dor da perda – nada poderia.

Mas esse entendimento é um chão.
Um chão duro e frio, mas real, sobre o qual podemos, um dia, nos reerguer.

Quando compreendemos que a morte nos rodeia e pode tocar quem mais amamos a qualquer instante, algo paradoxal acontece: não vivemos com mais medo, mas com mais presença.
Essa consciência da finitude é o que afia o valor do agora.
É o que transforma um simples "até logo" em um momento sagrado.

E há uma segunda camada de dor, quando a partida vem acompanhada da sensação de descaso.
Muitas vezes, o que mais falta não é a técnica, mas a comunicação do cuidado.
A mão que segura, o olho que enxerga o medo, a palavra que explica com verdade e compaixão.
A falta disso é uma ferida sobre outra ferida.

Para você que carrega essa dor de uma perda injusta: sua revolta é válida.

Seu luto não precisa de "aceitação".

Precisa de tempo, de espaço e desse entendimento difícil, mas libertador: a vida é preciosa justamente porque é frágil.

E o amor que você viveu não morreu.
Ele se transformou na medida exata da sua saudade, que é, no fundo, o registro mais fiel de que ele foi real.

Como você tem honrado a fragilidade e a preciosidade dos seus afetos hoje?

27/01/2026

O que move suas escolhas: o futuro que você imagina, ou o prazer que você sente agora? ⚖️🧠

Nossas decisões mais importantes são um balanço frágil entre dois pilares: a racionalidade que planeja o amanhã, e o instinto que busca afastar a dor e abraçar o prazer imediato.

O que nos torna humanos, porém, é justamente a capacidade de imaginar.

De projetar um "e se..." no tempo.

Quem consegue visualizar, com clareza, o benefício futuro de guardar dinheiro – a segurança, a liberdade, a paz –, consegue dar mais força ao lobo pré-frontal (a nossa razão).

Ele sussurra: "Espere. Valerá a pena." J

á quem não enxerga além do horizonte imediato, tende a ser governado pelo sistema límbico, que anseia pelo carro novo agora, pela casa luxuosa já, pelo conforto instantâneo... mesmo que a conta venha depois, e seja alta.

O risco mora justamente aí: quando a imaginação do futuro falha, o presente prazeroso (ou menos doloroso) vence. E não é sobre deixar de viver o agora.
É sobre entender que o agora é construído também pelas escolhas passadas que um dia foram feitas pensando no amanhã.

A grande pergunta que f**a é: no que você tem investido sua imaginação?

Em cenários de medo e escassez, que te paralisam?

Ou em visões claras e possíveis de um futuro que vale o sacrifício e a disciplina de hoje?

Porque a direção da sua vida depende muito mais da qualidade dos futuros que você ousa imaginar, do que dos desejos imediatos que você sente.

23/01/2026

A vida não é uma única cor.

É um mosaico de sentimentos que às vezes se justapõem, mesmo quando parecem se contradizer. 🌈

Há uma culpa silenciosa que surge quando a alegria bate à porta em meio a uma tempestade.

"Como ousar ser feliz enquanto alguém que amo sofre?"

Essa pergunta é um peso que muitos carregam nos ombros.

O relato dessa filha nos ensina uma sabedoria rara: a coragem de permitir que a tristeza e a felicidade coexistam. Ela não negou a dor do câncer da mãe.
Também não anulou a beleza de estar se descobrindo, amando e vivendo seus próprios sonhos.
Ela aprendeu a não misturar as "caixinhas" da vida, entendendo que uma dificuldade em uma área não precisa contaminar todas as outras.

E o gesto mais revolucionário veio da própria mãe: "Você não precisa se sentir culpada. Inclusive, você tem que estar feliz."

Essa foi a permissão que transformou o luto em vida, a doença em um convite para celebrar o que ainda era possível.
Eles escolheram não viver a doença, mas viver apesar dela.
Viajar, festejar, comemorar. Foi um ato de resistência.

Às vezes, a maior prova de amor por quem está em uma batalha difícil é não desistir da própria luz.
É honrar a vida que ainda pulsa, dentro e fora do hospital.

Porque, no fim, o que f**a não é o tempo da doença, mas a intensidade com que se amou e se viveu em cada intervalo dela.

Será que, em meio às nossas dores, estamos dando (e recebendo) permissão para sermos inteiros – com todas as nossas alegrias e tristezas simultâneas?

A palavra "câncer" veio antes do diagnóstico. 🩺➡️💔Às vezes, a intuição sussurra a verdade que os exames ainda não confir...
23/01/2026

A palavra "câncer" veio antes do diagnóstico. 🩺➡️💔

Às vezes, a intuição sussurra a verdade que os exames ainda não confirmaram.

O coração já sabe, antes mesmo do médico chamar para "aquela conversa".
É um peso que chega sem aviso, um frio na espinha que anuncia que a vida está prestes a mudar para sempre.
�Enquanto aguardamos a confirmação formal, a mente já viaja por todos os cenários possíveis.
O medo se instala, mas com ele vem uma estranha lucidez.
É como se a alma se preparasse para a batalha antes mesmo de o primeiro tratamento ser prescrito.
�Essa antecipação da dor não é fraqueza - é um mecanismo de sobrevivência.

É o nosso ser nos alertando: "Prepare-se. A jornada será dura, mas você é capaz".

Quantas verdades difíceis nosso corpo e nossa alma já sabem, muito antes de nossa mente estar pronta para aceitá-las?

22/01/2026

Há monstros que não usam capa. Usam jaleco.
E a maior violência não é contra o corpo, é contra o pacto mais sagrado: o do cuidado. 🩺⚖️

Este caso vai além de um crime hediondo.

É a perfuração brutal da confiança que depositamos quando estamos mais frágeis.
É a transformação do espaço que deveria ser de cura em um cenário de puro terror.

Nos faz questionar não apenas os protocolos de segurança – que falharam de forma assustadora – mas a própria essência do que é ser um cuidador.

Como pode a mão que deveria aliviar a dor, provocá-la de forma tão calculada?

Como o estresse e a pressão institucional podem ser distorcidos até justif**ar (na mente perturbada de alguém) o ato de brincar de Deus, mas para o mal?

É um lembrete sombrio de que sistemas de saúde não são feitos apenas de paredes e equipamentos; são feitos de ética, supervisão e, acima de tudo, da humanidade vigilante de cada profissional que neles atua.

A dor das famílias é incomensurável.
Perder um ente querido é devastador.
Perdê-lo por um ato intencional de quem jurou proteger é uma ferida que nunca fechará.

Este caso é um grito por justiça, mas também por uma reflexão profunda: que cultura estamos cultivando em nossos ambientes de trabalho?

Que apoio damos à saúde mental daqueles que carregam o peso da vida e da morte nas mãos?

Que a justiça seja rápida e severa.

E que cada um de nós, em nossas profissões, nunca nos esqueçamos do peso do poder que temos sobre a vida do outro.

O egoísmo disfarçado de amor prolonga agonias que não são suas. 💔🎭Há uma dor que não é a nossa, mas que nos atrevemos a ...
21/01/2026

O egoísmo disfarçado de amor prolonga agonias que não são suas. 💔🎭

Há uma dor que não é a nossa, mas que nos atrevemos a administrar.

Seguramos a mão de quem já não sente o toque, insistimos em batalhas já perdidas, confundimos nosso medo da saudade com a suposta vontade de lutar do outro.

Chamamos de "devoção" o que é, no fundo, puro pavor da solidão.

Vestimos nosso desespero com a capa do amor, e assim justif**amos a tortura de um corpo que já cumpriu sua jornada.
O verdadeiro amor não impõe sua própria dor como condição para a existência alheia.
O cuidado paliativo é a coragem de desmascarar esse egoísmo.

É a honestidade de trocar o "não quero que você vá" pelo "está tudo bem, você pode descansar".

É entender que, às vezes, a maior prova de amor é o silêncio que permite a partida.

Será que o amor mais profundo é aquele que prefere a própria saudade à agonia alheia?

20/01/2026

O cuidado que transforma não é um ato solitário, é uma dança de escuta. 💫

Às vezes, nos cruzamentos mais difíceis da vida, o que mais precisamos não é de uma ordem.

Nem de uma pergunta solta que nos joga todo o peso da decisão nas costas.
Precisamos de uma conversa.

O vídeo fala de três formas de cuidar: a autoritária, a passiva e a mutualística.

Mas, no fundo, ele está falando de respeito.

De como a medicina – e qualquer relação humana profunda – ganha alma quando deixa de ser um monólogo e vira uma construção a duas mãos. 🤝

É sobre sentar.
Escutar os medos que tremem por trás das perguntas.
Entender os valores que são a coluna vertebral de uma vida inteira.
E só então, com humildade e técnica, desenhar um caminho possível juntos.

Porque o "certo" nem sempre é o que o livro diz; muitas vezes, o "certo" é o que cabe dentro do coração daquele que está vivendo (e morrendo) a própria história.

No final, o maior cuidado talvez seja justamente esse: a coragem de compartilhar a responsabilidade, de navegar a incerteza ao lado do outro, sem dono da verdade e sem fuga.

É nesse espaço compartilhado que o cuidado deixa de ser um procedimento e vira um encontro.

E você, em seus relacionamentos – profissionais ou pessoais – tem cultivado monólogos, perguntas soltas… ou encontros?

Amar é saber soltar quando o custo de f**ar é a dor alheia. 🕊️❤️‍🩹O instinto nos prega uma armadilha: acreditar que segu...
19/01/2026

Amar é saber soltar quando o custo de f**ar é a dor alheia. 🕊️❤️‍🩹

O instinto nos prega uma armadilha: acreditar que segurar é sempre um ato de amor.

Mas o amor mais sábio e corajoso conhece o momento exato em que apertar a mão signif**a prender, e soltá-la é a última forma de cuidado.

Quando o corpo se torna um campo de batalha, quando cada respiro é conquistado com sofrimento, insistir na permanência não é mais proteção – é prolongamento de uma agonia.

O amor que liberta entende que a dignidade da vida está em sua qualidade, não em sua duração.
É um amor que coloca o alívio do outro acima do próprio medo da saudade.

Essa não é uma desistência.

É a entrega final: trocar a presença física pela paz eterna, e a luta impossível pela serenidade do último adeus.

O amor que solta não é um amor menor. É um amor que consegue enxergar além da própria dor.

17/01/2026

A sensação do cuidado é mais importante que o cuidado. 😔⚖️❤️

Há uma crise de confiança profunda.

A população vê os profissionais de saúde não como aliados, mas como parte do problema.
A resposta fácil é culpar "a enfermagem", "os médicos", o "sistema".
Mas a resposta corajosa, proposta aqui, é a da autorresponsabilidade.

Se somos vistos como ruins, é porque permitimos.
Mesmo realizando o ato técnico do cuidado, falhamos em transmitir a sensação de cuidado.
Um paciente pode sair curado, mas se não se sentiu visto, ouvido e respeitado, a experiência será negativa.

E no mundo de hoje, a percepção é a realidade.

O sistema, com suas falhas de gestão e corrupção, alimenta essa guerra "nós contra eles". Políticos se aproveitam do caos para fazer espetáculo.

Mas isso não nos isenta da nossa parte: somos péssimos comunicadores e temos uma formação que negligencia a empatia e o treinamento humano.

A solução apontada é dupla:
1. Recuperar a empatia profissional, lembrando que cada leito é "o amor da vida de alguém".
2. Fazer a população entender que estamos no mesmo barco, um barco que está naufragando, e que brigar entre si só acelera o afundamento de todos.

O resgate começa quando cada profissional se pergunta: "Se fosse minha mãe neste leito, eu faria diferente?"

E quando cada cidadão entender que o verdadeiro inimigo não é quem tenta consertar o barco com as mãos amarradas, mas quem perfurou o casco e agora aponta o dedo.

O amor que se torna posse nega o alívio do outro. 💔🔒Amar não é querer para si. É desejar o bem do outro, mesmo quando es...
17/01/2026

O amor que se torna posse nega o alívio do outro. 💔🔒

Amar não é querer para si.

É desejar o bem do outro, mesmo quando esse bem signif**a a própria despedida.
Quando o amor se confunde com posse, ele se transforma em uma corrente dourada que prende quem já precisa voar.

Insistir em manter um corpo que sofre, apenas para adiar a própria dor da perda, é um ato de egoísmo.
É colocar o medo da solidão acima do direito ao descanso de quem se ama.

O verdadeiro amor é aquele que tem a coragem de abrir a mão, de libertar, de sussurrar "pode ir" quando o sofrimento já não tem mais sentido.

O cuidado paliativo, em sua essência, é esse amor livre de posse.
É o que prioriza o conforto, a dignidade e a paz do outro, mesmo que o preço seja a própria saudade.

Será que o amor mais puro é aquele que sabe perder para que o outro ganhe seu repouso?



Endereço

Goiânia, GO

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