18/06/2021
Nos últimos meses (talvez ano) tenho acompanhado uma romantização ou apelação sobre o papel da psicologia. Observo pessoas recomendando “vai para a terapia” como solução mágica de todos os problemas. Vejo também psicólogos comprando tal ideia e, ao divulgarem seus trabalhos, realizam promessas impossíveis de serem cumpridas. Há promessas de acabar com a ansiedade por completo, de melhorar todos os relacionamentos amorosos, de resolver cem por cento a vida profissional... mas não é bem assim.
A terapia, sem dúvidas, é uma ferramenta importante para melhorar a qualidade de vida, mas ela não é mágica. É importante entender a função de um processo terapêutico. Quando isso não é falado, e, pelo contrário, é prometido milagres, deixa-se brechas para diversos mal entendidos, além de ser antiético e amoral (com o outro e com a profissão). São psicólogos frustrados por não ter salvado a vida do seu paciente; clientes insatisfeitos por não ter todos seus problemas resolvidos; além de possibilitar a crítica de que a psicoterapia não funciona. Ela funciona, e muito! Mas ela não é a salvadora da pátria.
É difícil falar em um post o que de fato a terapia faz, mas tenho construído isso ao longo da existência deste perfil. Este post, porém, é para deixar claro que:
Não, a psicologia não vai salvar o mundo! Também não vai salvar tudo em sua vida. Ela não faz milagre, não multiplica dinheiro e nem traz o amor em 5 dias. Na terapia estabelece uma relação intensa de desvendar alguns porquês, descobrir alguns padrões, propor mudanças, observar seus pensamentos e ações até então desapercebidos, possibilita viver novas experiencias, entre outros. Mas precisamos deixar claro que há limitações. Nosso comportamento é complexo, há uma parte biológica e social/cultural que está além de intervenção no consultório. O terapeuta representa uma pequena parcela de um contexto muito maior e complexo vivido pelo outro. É um trabalho realizado com o outro que procura ajuda, mas não mudamos todas as contingências da vida deste.