18/01/2026
Deixar ir é um verbo que soa bonito, mas dói no corpo. Porque o que nos prende não é o que faz sentido é o que nos é familiar. E há um tipo de dor que se acomoda tão fundo que confunde permanência com lealdade, repetição com merecimento.
Na escuta clínica, é comum ouvir: “Eu sei que não faz bem, mas não consigo sair.” Essa frase, tão simples, carrega algo muito maior do que indecisão. Ela revela o ponto exato onde o afeto se mistura com o trauma. Onde aquilo que deveria acolher também aprisiona. Onde a mulher tenta ser fiel a um vínculo, mesmo que precise se trair para isso. Deixar o que não serve mais exige trabalho psíquico. Exige elaborar a culpa, o medo da solidão, o luto pelo que não aconteceu, o apego ao que poderia ter sido. Exige sair de dinâmicas onde o afeto era condicionado. Onde o amor dependia de esforço, silêncio ou obediência emocional. Exige, sobretudo, abrir mão da fantasia de que, com mais esforço, aquilo ainda poderia dar certo.
Coragem, aqui, não é ausência de dor. É disposição para sentir a dor certa. Aquela que nasce do movimento de separação. A dor da despedida, e não da insistência. A dor que machuca, mas liberta. Na psicanálise, não se trata de ensinar a “deixar ir”. Trata-se de escutar o que ainda prende. Porque só se solta aquilo que já foi suficientemente elaborado. Antes disso, todo fim é apenas suspensão.
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