17/12/2025
A escrita eterniza e me ajuda elaborar:
O cenário foi outro: o parto não foi tradicional, não teve foto de família, não teve aquele primeiro colo, nem o mamá dado ali, no calor do instante. Não subi com meu filho para o quarto. A saída de maternidade que comprei ficou dobrada na mala enquanto eu vivia algo que jamais imaginei viver.
Eu tive medo. Medo de me perder. Medo de perder meu filho. E, no meio desse abismo, Deus me segurou pela mão, mesmo quando eu tremia inteira.
E parece que, quando a vida f**a por um fio, tudo dentro da gente se reorganiza.
Eu tive alta... mas meu bebê ficou no hospital.
Ser mãe de UTI, foi uma das experiências mais dolorosas e transformadoras da minha vida.
É um paradoxo difícil de explicar:
O corpo no resguardo, doendo, cansado.
A alma frágil, tentando não desmoronar.
O bebê tão pequeno, tão dependente, tão vulnerável.
E eu ali, extraindo leite quatro vezes por dia, tentando ser mãe à distância de “Dois”, tentando costurar presença dentro de ausências forçada.
Há uma dor que não é só física é a dor de encarar a frustração de um sonho desmontado.
De aceitar que a história escrita com tanta esperança precisou ser reescrita em tempo real.
De lidar com o aperto no peito, com o susto.
Mas, quando tudo passou... veio uma paz silenciosa. Uma paz que preencheu cada canto.
Uma paz que me levou a enxergar, com clareza, o que realmente importa nessa vida.
Embora, eu ainda esteja elaborando tudo aqui dentro ainda.
Não foi o que sonhei, mas foi o que eu precisava para crescer: espiritualmente, emocionalmente, como mulher, como mãe, como pessoa, como profissional.
Não queria passar por nada disso.
Mas Deus não me desamparou por um instante sequer. E isso, basta.
Hoje, olhando para trás, percebo:
O que vivi não foi como planejei. Mas me fez renascer. Mais forte. Mais consciente. Mais grata.
E pronta para amar de um jeito que só quem passou por esse caminho conhece.
Vivemos a graça de um milagre!
Tive o melhor desfecho dentro do pior cenário e posso ser grata sem deixar de sentir.
Reconhecendo o milagre sem negar as minhas dores. Honrar os dois é honrar minha história.
Data: 07/12/2025.