Kariny Nogueira

Kariny Nogueira Psicóloga e Especialista em Clínica Psicanalítica e Psicopatologia - CRP 09/9480

O inconsciente não pede licença. Ele não espera você estar pronto, nem organizado, nem consciente de si. Ele simplesment...
16/04/2026

O inconsciente não pede licença. Ele não espera você estar pronto, nem organizado, nem consciente de si. Ele simplesmente age, silencioso, constante, insistente. Enquanto você finge não ver, ele encontra outras formas de aparecer: nos seus padrões repetidos, nas escolhas que você não entende, nas relações que sempre terminam do mesmo jeito.

Ignorar o que existe dentro de você não faz com que desapareça. Pelo contrário, dá ainda mais força. O que não é olhado se infiltra. O que não é nomeado se manifesta em forma de sintoma, de ansiedade, de desconforto, de decisões que parecem “inexplicáveis”.

Existe um custo alto em sustentar essa cegueira voluntária. Porque fingir que não vê pode até proteger por um tempo, mas também te aprisiona em ciclos que se repetem, e se repetem até serem compreendidos.

Encarar não é confortável. Reconhecer partes suas que você evita, nega ou rejeita exige coragem. Mas é só a partir desse encontro que algo realmente muda. Porque aquilo que se torna consciente deixa de te controlar no escuro.

A solidão, muitas vezes, não nasce do vazio ao redor, mas do silêncio dentro. É possível estar cercado de pessoas, conve...
13/04/2026

A solidão, muitas vezes, não nasce do vazio ao redor, mas do silêncio dentro. É possível estar cercado de pessoas, conversas e compromissos, e ainda assim sentir-se profundamente só. Isso acontece quando aquilo que realmente importa, sentimentos, pensamentos, conflitos, desejos, permanece guardado, não dito, não compartilhado.

Existe uma distância invisível que se cria quando você deixa de comunicar o que é essencial para você. Não por falta de oportunidade, mas, muitas vezes, por medo de não ser compreendido, de ser julgado ou até de se tornar vulnerável demais. E, aos poucos, você vai se afastando, não fisicamente, mas emocionalmente. Vai ocupando espaços, mas sem realmente estar neles.

A solidão, então, deixa de ser ausência de companhia e passa a ser ausência de conexão. Porque conexão verdadeira exige exposição, exige risco, exige voz. E quando você silencia o que sente, também silencia a possibilidade de ser visto de verdade.

Falar sobre o que importa não é apenas dividir algo com o outro, é também se reconhecer, se validar e permitir que alguém atravesse essa ponte até você. Às vezes, o que mais falta não são pessoas, mas coragem para ser inteiro diante delas.

Quando alguém foge do confronto consigo mesmo, passa a repetir escolhas automáticas, padrões herdados, expectativas alhe...
08/04/2026

Quando alguém foge do confronto consigo mesmo, passa a repetir escolhas automáticas, padrões herdados, expectativas alheias e crenças que nunca foram questionadas. Vive-se no piloto automático, defendendo ideias, relações e caminhos que foram aceitos sem reflexão, apenas porque eram mais confortáveis do que olhar para dentro.

O confronto interno não é uma guerra contra si, mas um encontro honesto com aquilo que incomoda, contradiz e revela. É reconhecer desejos negados, limites ignorados e versões antigas de si mesmo que já não cabem mais. Esse processo raramente é confortável, porque questionar o que sempre pareceu certo desorganiza certezas e exige coragem para mudar.

Mas é justamente aí que começa a liberdade. Quando você se permite perguntar “isso realmente é meu?”, abre espaço para escolher conscientemente quem deseja ser. Algumas verdades caem, alguns vínculos mudam, algumas direções deixam de fazer sentido, e, embora doa, algo essencial nasce, autoria sobre a própria vida.

A psicanálise nos ensina que a repetição não é um erro consciente, nem falta de aprendizado, é uma tentativa do inconsci...
06/04/2026

A psicanálise nos ensina que a repetição não é um erro consciente, nem falta de aprendizado, é uma tentativa do inconsciente de encontrar um novo desfecho para experiências emocionais que não puderam ser elaboradas no passado.

Voltamos a padrões, relações e situações semelhantes porque, em algum nível profundo, existe a esperança de que desta vez seremos compreendidos, escolhidos, respeitados ou amados de uma forma diferente. Por isso, muitas vezes nos vemos vivendo histórias parecidas com personagens diferentes. A repetição é, paradoxalmente, uma tentativa de cura, ainda que, sem consciência, ela nos mantenha presos ao mesmo ciclo.

O processo terapêutico não serve para julgar essas repetições, mas para torná-las visíveis. Quando aquilo que antes era atuado passa a ser pensado e simbolizado, surge a possibilidade de escolha. E é nesse momento que algo muda, não porque o passado desaparece, mas porque ele deixa de comandar o presente em silêncio.

Elaborar é justamente isso, interromper a repetição não pela força, mas pela compreensão. Porque quando a história é finalmente entendida, já não é mais necessário revivê-la para tentar um novo final.

O sofrimento, muitas vezes, nasce onde houve excesso de silêncio, falta de reconhecimento ou emoções que precisaram ser ...
01/04/2026

O sofrimento, muitas vezes, nasce onde houve excesso de silêncio, falta de reconhecimento ou emoções que precisaram ser engolidas para sobreviver a determinados momentos da vida. E aquilo que não pôde ser sentido no tempo certo não desaparece, apenas espera outra oportunidade para ser escutado.

Por isso, tentar eliminar a dor a qualquer custo pode prolongá-la. Quando fugimos, repetimos. Quando negamos, o corpo fala. Quando finalmente nos permitimos compreender o que sentimos, sem julgamento, sem pressa e sem a exigência de estarmos bem o tempo todo, algo começa a mudar.

Compreender não signif**a permanecer na dor, mas atravessá-la com consciência. É transformar sofrimento em conhecimento sobre si mesmo. É deixar de lutar contra o que sentimos para descobrir o que aquilo está tentando cuidar dentro de nós.

Depois de uma situação difícil, quando tudo parece finalmente ter passado, é comum que o corpo desabe. Não porque você s...
27/03/2026

Depois de uma situação difícil, quando tudo parece finalmente ter passado, é comum que o corpo desabe. Não porque você seja fraco, mas porque, até então, estava sobrevivendo. Segurando emoções, silenciando dores, funcionando no automático para dar conta do que precisava ser enfrentado.

O corpo não mente, ele fala quando a mente insiste em continuar, ele desacelera quando você não consegue parar sozinho. Ficar doente, em alguns momentos, não é apenas um evento físico, pode ser a única linguagem possível para expressar o que foi excessivo, pesado ou impossível de elaborar naquele instante.

É como se o organismo dissesse:
“Agora você precisa sentir.”
“Agora você precisa descansar.”
“Agora é hora de cuidar de você.”

Nem toda doença nasce das emoções, mas muitas vezes o adoecimento aparece quando o limite foi ultrapassado por tempo demais. Talvez não seja fraqueza.Talvez seja o corpo tentando te proteger do que já era insustentável carregar sozinho.

Sabe aquela sensação de "déjà vu" emocional? Aquele mesmo tipo de parceiro que te decepciona, o mesmo conflito no trabal...
25/03/2026

Sabe aquela sensação de "déjà vu" emocional? Aquele mesmo tipo de parceiro que te decepciona, o mesmo conflito no trabalho que se repete, ou aquela autossabotagem que aparece sempre que as coisas começam a dar certo?

Muitas vezes, nos escondemos atrás do "é o meu jeito" ou do "eu não tenho sorte". Mas, na poltrona da análise, a verdade é mais crua. Porque nem tudo que se repete é coincidência, nem todo tropeço é obra do acaso. Às vezes, aquilo que parece má sorte é apenas algo dentro de nós pedindo para ser visto, compreendido e elaborado.

Chamamos de azar os relacionamentos que sempre terminam do mesmo jeito, as escolhas que nos levam ao mesmo tipo de frustração, os caminhos que insistem em nos colocar diante das mesmas dores. O que não é elaborado, se encena novamente na vida real.

Enquanto chamamos de azar, permanecemos vítimas do acaso. Quando passamos a chamar de sintoma, ganhamos a possibilidade de responsabilidade e transformação.

Dizem que são unidos, que "não temos brigas aqui". Mas, ao olhar de perto, percebemos que essa harmonia custa caro, cust...
23/03/2026

Dizem que são unidos, que "não temos brigas aqui". Mas, ao olhar de perto, percebemos que essa harmonia custa caro, custa a voz, o desejo e a saúde mental de quem aprendeu que, para ser aceito, precisa se calar.

O que se chama de "adaptação" é, muitas vezes, um mecanismo de sobrevivência diante de um ambiente autoritário ou narcisista. Na Psicanálise, sabemos que o que a boca cala, o corpo fala.

A "paz" que depende do seu silenciamento é, na verdade, uma guerra interna que você trava contra si mesmo. Sustentar o desejo do outro e sufocar o seu para que a família "continue bem" não é amor, é sacrifício patológico. A verdadeira união suporta a divergência. A falsa paz exige a obediência.

Até quando você será o amortecedor dos conflitos alheios?
A análise é o lugar onde o silêncio finalmente ganha palavras. E as palavras libertam.

Fazer análise não é sobre "se sentir bem" o tempo todo. É sobre parar de ser atropelado pelos próprios fantasmas. É ganh...
19/03/2026

Fazer análise não é sobre "se sentir bem" o tempo todo. É sobre parar de ser atropelado pelos próprios fantasmas. É ganhar as rédeas de uma história que, até agora, parece estar sendo escrita por outra pessoa.

A análise interrompe o piloto automático. Ela permite perceber que muitos dos “fantasmas” que nos atravessam não pertencem apenas ao presente, são ecos de histórias antigas, expectativas internalizadas, feridas que aprenderam a falar através dos sintomas, das escolhas e das repetições. Quando essas experiências ganham palavra, deixam de precisar se manifestar como acontecimentos inevitáveis.

Analisar-se, no fundo, é isso, sair do lugar de quem apenas reage à vida e ocupar o lugar de quem pode escolher. Não para viver sem conflitos, mas para não ser mais atropelado por aquilo que nunca teve espaço para existir em consciência.

Porque aquilo que é elaborado deixa de perseguir, e passa, finalmente, a integrar quem somos.

É também sobre o nascimento de uma mulher que ainda não se reconhece totalmente no espelho. Enquanto todos observam os p...
17/03/2026

É também sobre o nascimento de uma mulher que ainda não se reconhece totalmente no espelho. Enquanto todos observam os primeiros sorrisos, os marcos do desenvolvimento e o crescimento da criança, quase ninguém percebe a reconstrução silenciosa que acontece dentro da mãe.

O primeiro ano é feito de amor imenso, mas também de cansaço profundo.
De aprender a cuidar enquanto tenta lembrar quem era antes de cuidar. De noites mal dormidas que não cansam apenas o corpo, reorganizam emoções, prioridades e até identidades.

É o tempo em que o mundo passa a girar em torno de alguém pequeno, enquanto sentimentos grandes precisam ser engolidos entre uma ma**da e outra. É quando a mulher descobre forças que não sabia possuir, ao mesmo tempo em que enfrenta inseguranças que nunca imaginou sentir.

E diferente da criança, ninguém ensina passo a passo como crescer nessa nova versão de si mesma. O primeiro ano da maternidade é um período de adaptação invisível, uma mistura de amor, luto pela antiga rotina, descobertas, renúncias e uma coragem diária que raramente recebe aplausos.

Porque cuidar de um bebê é aprender a sustentar uma vida, mas tornar-se mãe é aprender, todos os dias, a se reconstruir sem deixar de existir.

Há uma verdade silenciosa dentro dos consultórios, muitas vezes, quem mais precisa de terapia não é quem chega até ela. ...
13/03/2026

Há uma verdade silenciosa dentro dos consultórios, muitas vezes, quem mais precisa de terapia não é quem chega até ela. São as vítimas que procuram ajuda.

São aqueles que carregaram o peso das palavras duras, das ausências emocionais, das manipulações, das violências sutis ou explícitas. São os que aprenderam a sobreviver aos comportamentos não tratados de outras pessoas.

Quem machuca raramente percebe que machuca, quem causa dor nem sempre reconhece a própria responsabilidade emocional. E assim, o sofrimento muda de endereço, não f**a com quem o produziu, mas com quem precisou suportá-lo.

A terapia, então, torna-se um espaço de reconstrução, não para entender apenas a própria história, mas para reorganizar feridas que nunca deveriam ter sido suas.

Porque, muitas vezes, o processo terapêutico não começa com a pergunta “o que há de errado comigo?”, mas sim com a descoberta libertadora:
“Talvez eu só tenha vivido situações que ninguém deveria viver sozinho.”

Cuidar da própria saúde emocional passa, também, por interromper ciclos que outras pessoas nunca tiveram coragem, ou consciência de enfrentar.

E talvez esse seja um dos trabalhos emocionais mais difíceis que uma geração já assumiu. Porque enquanto ensinamos nosso...
10/03/2026

E talvez esse seja um dos trabalhos emocionais mais difíceis que uma geração já assumiu. Porque enquanto ensinamos nossos filhos a nomear sentimentos, nós ainda estamos tentando entender os nossos. Enquanto incentivamos o diálogo, estamos reaprendendo a falar sobre aquilo que, por muito tempo, fomos ensinados a engolir em silêncio. Enquanto oferecemos acolhimento, estamos descobrindo, muitas vezes pela primeira vez, como é ser acolhido.

É perceber que certas reações nossas não nasceram agora, mas vêm de feridas antigas. É escolher interromper respostas automáticas herdadas, mesmo quando o cansaço pede o caminho mais fácil. É respirar fundo para não repetir aquilo que um dia nos machucou.

Estamos fazendo algo silenciosamente revolucionário, transformando dor em consciência. Nossos filhos talvez nunca saibam o tamanho das batalhas internas que travamos para que eles cresçam mais leves. Eles não verão todas as vezes em que engolimos um impulso, repensamos uma palavra, ou decidimos agir diferente do que aprendemos. Mas sentirão o resultado.

Não é leve. Não é rápido. E muitas vezes é solitário. Mas é assim que ciclos terminam, quando alguém decide sentir, compreender e curar, em vez de apenas continuar.

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