24/04/2026
Eu tinha 17 anos quando entrei na faculdade.
Vim de uma cidade pequena, do interior, criada na fazenda.
E, na primeira semana de aula…
eu não consegui ir sozinha.
Eu precisei que meu namorado fosse comigo.
Hoje, meu marido.
Não era sobre ele.
Era sobre mim.
Eu tinha vergonha.
Insegurança.
Medo de não pertencer.
Eu não sabia me sustentar.
Não sabia me posicionar.
Não sabia nem nomear o que eu sentia.
Então eu me apoiava nele…
pra me sentir segura em lugares que, pra mim, pareciam grandes demais.
E, sem perceber,
eu fui crescendo assim:
Dependendo do outro pra me sentir capaz.
Precisando do outro pra me validar.
Esperando do outro a segurança que eu não tinha dentro de mim.
Demorou pra eu entender que o problema não era falta de força.
Era falta de referência interna.
Eu não tinha aprendido a me escutar.
A confiar em mim.
A sustentar o que eu sentia.
E foi na terapia que isso começou a mudar.
Foi ali que eu construí, pela primeira vez, um lugar seguro dentro de mim.
Aprendi a reconhecer minhas emoções.
A entender meus limites.
A descobrir meus valores inegociáveis.
Aprendi a me posicionar.
A me defender.
A não precisar mais da validação constante do outro.
E hoje… a vida me pede exatamente isso.
Ser forte.
Ser clara.
Ser firme.
Principalmente quando se trata do meu filho.
Dentro de uma UTI,
eu não posso esperar que alguém fale por mim.
Eu pergunto.
Eu questiono.
Eu entendo.
Eu decido.
E, enquanto eu faço isso…
eu penso naquela menina de 17 anos
que não conseguia entrar sozinha em uma sala de aula.
E eu tenho vontade de abraçá-la.
Porque ela não era fraca.
Ela só não tinha sido ensinada a confiar em si.
Você não nasceu dependente.
Você só não foi ensinada a se sustentar.