21/12/2025
Conheci a praia aos cinco anos, trazida pela mão de uma tia 🌊
Depois disso, o mar virou ausência.
Aos oito, voltei por um dia só — um dia cinza, de chuva, que terminou rápido demais ☁️
Alguns minutos com os pés na água e, logo depois, o carro já apontava de volta para casa 🚗
Na adolescência, quando eu precisava respirar, era para a água que eu ia.
Não o mar — quase nunca permitido —, mas o rio da Usina do Gasômetro 🌊
Eu ia sozinha.
Sentava.
Olhava.
E algo em mim silenciava 🤍
Nunca soube explicar direito.
Só sentia: a água me organizava por dentro.
Era o único lugar onde meus pensamentos diminuíam o volume.
A praia continuou sendo rara.
Meus pais não gostavam, não entendiam,
e eu aprendi cedo que esse desejo precisava esperar ⏳
Hoje eu estou aqui.
Com horários, limites, responsabilidades.
Tenho hora para chegar.
Tenho hora para partir.
Mas não tenho vontade de ir.
Meus pensamentos f**am.
Meu corpo f**a 🌊
Depois de dois dias, as crianças já se cansam da beira do mar.
Querem sombra, brinquedos, outra coisa qualquer 🏖️
Eu não.
Eu f**aria.
Ficaria em silêncio, olhando, escutando, sentindo.
Não é sobre bronze —
meu corpo já protesta, vermelho, queimado 🔥
É sobre pausa.
Sobre o jeito como o mar se move sem pressa,
como se dissesse que nem tudo precisa ser resolvido agora 🌊
O movimento do mar não me cobra.
Não me acelera.
Ele apenas acontece.
E, por algum motivo que ainda não sei nomear,
é ali que eu consigo, finalmente, parar ✨