24/04/2026
Hoje tenho mais uma história para contar. Em conversa com uma colega, vieram desabafos e um pedido de ajuda para sustentar, com ética, o próprio posicionamento profissional.
Porque, às vezes, o que chega não é uma demanda simples.
É como uma onda grande… que atravessa tudo o que foi construído com tanto cuidado no processo terapêutico.
Nem sempre o desafio está apenas na criança.
Muitas vezes, está nas relações.
Existe a dificuldade de alinhar condutas com a família.
Orientações que não são seguidas.
Decisões tomadas no impulso.
E, aos poucos, o tratamento vai sendo fragilizado.
Na maioria das vezes, encontramos famílias parceiras.
Que caminham junto, que confiam, que sustentam o processo.
E isso transforma.
Mas também existe a minoria e ela impacta profundamente.
Famílias que não conseguem aderir.
Que estão sempre em busca de algo imediato, idealizado, quase inalcançável.
Que, sem perceber, bloqueiam os avanços possíveis.
E o resultado, muitas vezes, é um ciclo que se repete:
interrompe, recomeça, muda de profissional…
e quem sofre, silenciosamente, é a criança.
Falta, muitas vezes, a compreensão de algo essencial:
o vínculo terapêutico e o vínculo familiar não competem eles se complementam.
Quando esses dois lados caminham juntos, há potência de transformação.
Quando não, o processo se fragiliza.
E sim… profissionais também sentem.
Sentem frustração.
Cansaço.
E, às vezes, o impacto de se perceberem encurralados, questionados, atravessados em um lugar onde estão tentando, genuinamente, ajudar.
Falar sobre isso não é apontar culpados.
É dar visibilidade a uma realidade pouco dita.
Sustentar um posicionamento ético nem sempre é confortável
mas é necessário.
Porque, no centro de tudo, existe uma criança que precisa de coerência, constância e cuidado verdadeiro.