28/01/2026
Todos carregamos um ponto sombrio, um núcleo sensível da psique que foi empurrado para o subterrâneo por medo, vergonha ou humilhação. Na linguagem junguiana, esse é o território da sombra, não porque seja mau, mas porque foi excluído da consciência.
O problema não está no segredo em si, mas no esforço contínuo de mantê-lo enterrado. Aquilo que não é simbolizado não desaparece: infiltra-se. Age por vias indiretas, contamina relações, escolhas e afetos, exalando suas toxinas invisíveis no cotidiano da vida consciente.
Trazer à luz não significa exposição imprudente, mas reconhecimento interno. Quando o segredo encontra linguagem, imagem e sentido, ele perde seu poder corrosivo e se transforma em matéria de integração.
A cura começa quando a psique já não precisa esconder de si mesma.
Hollis, James. Assombrações ': dissipando os fantasmas que dirigem nossas vidas, são Paulo, paulus, 2017, p.36